O juiz federal Sergio Moro é o responsável pelos processos da Operação Lava Jato e tem estado à frente de todas as fases até agora, nas quais muitos acusados já foram, inclusive, presos. Mas agora, o juiz passa de acusador a acusado, pois ele é alvo de 12 representações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), todas pedindo que haja uma investigação sob a conduta do juiz no caso, se ele cometeu infrações disciplinares.

As referidas ações, em sua maioria (mais precisamente nove delas) dizem respeito às gravações do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva e a presidente Dilma  Rousseff, que foram interceptadas e divulgadas, tendo sido esse ato, considerado ilegal.

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As ações restantes dizem respeito à atuação do juiz de forma geral. Parte dessas ações foram movidas por advogados de todas as partes do país, por sindicatos e por um representante do Partido dos Trabalhadores.

Na última terça-feira (22) foi protocolado por 14 senadores o pedido de apuração mais recente. Desses 14, três estão sendo investigados no Supremo Tribunal Federal (STF): Gleisi Hoffman (PT-PR), Humberto Costa (PT-PE) e Lindbergh Farias (PT-RJ). Essa ação faz duras críticas a Moro, dizendo que a partir de um determinado momento a operação passou a ser conduzida de forma midiática e "espetacularizada" e que o juiz tende a ser seduzido pela "fama" e que dialoga com o segmento social que não está satisfeito com o atual governo e que, ao invés de tentar apaziguar e acalmar os ânimos, faz justamente o contrário.

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Os acontecimentos que levaram à maioria das ações contra o juiz Moro

Despachos do juiz Sergio Moro, entre 19 de fevereiro e 7 de março, autorizavam grampos telefônicos em 39 números telefônicos, que direcionam a 13 pessoas e entidades ligadas ao ex-presidente Lula. Cada interceptação tinha prazo de duração: 15 dias e depois seriam prorrogadas por mais 15. O filho de Lula, Fabio Luis Lula da Silva, diretores do Instituto Lula, um advogado do ex-presidente e um dos proprietários do sítio em Atibaia e mesmo o caseiro do sítio, todos estavam grampeados.

Acontece que, no dia 16 de março, às 11h13 houve o registro de um despacho de Moro determinando que os grampos fossem interrompidos. Mas o registro que foi divulgado, da conversa entre Lula e Dilma e o qual faz menção a um documento, que seria o da posse de Lula no ministério, ocorreu mais de duas horas após o juiz ter mandando interromper as gravações, às 13h32, o que torna essa referida gravação, ilegal - isso dito, inclusive pelo jurista Gustavo Badaró, professor de Processo Penal da USP: “se havia um despacho dele mesmo mandando cessar as interceptações, qualquer gravação feita depois disso é ilegal.” #Dilma Rousseff #Lava Jato