Após o vazamento de alguns trechos na última semana, a delação premiada do senador Delcídio do Amaral veio a público por completo. O documento, que possui 254 páginas, foi homologado nesta terça-feira (15) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki e trouxe relatos sobre membros do Governo e da oposição, causando desconforto no meio político nacional.

Dilma, Temer, Lula e Mercadante

Entre as principais acusações de Delcídio contra a presidenta #Dilma Rousseff estão a suposta tentativa de manipular o andamento da operação #Lava Jato, por meio de Marcelo Navarro ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a fim de votar pela libertação de empreiteiros; a suposta participação decisiva da presidenta – à época ministra da Casa Civil – na escolha de Nestor Cerveró como diretor da BR Distribuidora e também a suposta ciência de Dilma sobre as questões da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

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O vice-presidente, Michel Temer, teria sido padrinho de um executivo da BR distribuidora responsável por realizar desvio na aquisição de etanol na companhia durante o #Governo Fernando Henrique Cardoso, de 1997-2001, e também deu chancela à contratação de Jorge Zelada – já condenado pela Lava Jato – para a Petrobras.

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva também foi citado. Segundo Delcídio, o petista teria lhe pedido que contribuísse para evitar que Nestor Cerveró delatasse José Carlos Bumlai. A suposta intenção do ex-presidente seria evitar que, futuramente, as investigações da Lava Jato o atingissem. Já no Mensalão Lula teria agido no “silenciamento” de Marcos Valério mediante o pagamento de R$ 220 milhões.

Outro nome relevante citado do Governo foi o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

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Segundo o delator, o ministro teria tentando convencê-lo a não prosseguir com a delação em troca de auxílios políticos e financeiros a pedido da presidenta Dilma. Para isso, teria entrado em contato com um assessor de Delcídio, Eduardo Marzagão, que gravou as conversas com Mercadante.

Aécio, Cunha e Calheiros

Delcídio também apontou nomes relevantes da Câmara e do Senado, como o senador Aécio Neves e os presidentes das duas casas: Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Segundo o depoimento, o tucano teria agido para que Delcídio do Amaral alterasse a data de envio dos sigilos bancários oriundos do Banco Rural na CPI dos Correios. A mudança de prazo seria para que os documentos fornecidos pelo banco fossem alterados a fim de omitir operações ligadas a Aécio. Segundo Delcídio, o ex-deputado José Janene o teria relevado que Aécio também possuiria uma fundação localizada em Liechtenstein, um paraíso fiscal.

O senador tucano também é citado como um dos principais beneficiados nos desvios em Furnas.

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Segundo Delcídio, o senador mineiro seria bastante ligado ao diretor de engenharia da empresa de energia, Dimas Toledo, responsável pelos repasses do dinheiro desviado, do qual Aécio também seria beneficiário.

De acordo com a delação, o deputado Eduardo Cunha também teria se beneficiado com os desvios em Furnas. Além disso, Cunha também teria tentado beneficiar banqueiros, como André Esteves do BTG Pactual, por meio de Medidas Provisórias na Câmara. Já Renan Calheiros foi acusado de se beneficiar da Petrobras, por meio da diretoria, e também se aproveitou dos desvios na construção da usina de Belo Monte.

A homologação é um passo essencial para que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, peça novas investigações ao STF e junte informações a inquéritos abertos anteriormente, bem como compare com outras delações. Em troca da delação, o colaborador ganha benefícios como diminuição de uma possível pena. Além da redução penal, Delcídio também devolverá R$ 1,5 milhão aos cofres do País. Após a divulgação da homologação, Delcídio pediu sua desfiliação do PT.