Depois de as operadoras de internet de banda larga anunciarem que vão implementar o sistema de franquias de dados a fim de limitar o uso dos consumidores - sob a justificativa de, assim, oferecerem pacotes de acesso mais baratos -, uma onda de indignação rapidamente se espalhou pela rede. Contudo, a manifestação de milhares de cidadãos não impediu a Anatel de se declarar favorável à medida abusiva que vai na contra-mão dos serviços de #Internet oferecidos pelo mundo, os quais tendem a ficar mais baratos e disponíveis com velocidade cada vez maior.

Em termos de serviços de conexão à internet, nosso histórico é nada menos que vergonhoso.

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Nossa internet está entre as mais caras do mundo e, segundo pesquisa realizada em 2014, a velocidade média do acesso era a mesma oferecida no Vietnã - inferior à do Peru, Colômbia, Argentina, Chile, Equador, China, entre outros.

Mesmo com a regulamentação dos serviços aqui oferecidos, e a aprovação do Marco Civil da Internet, as operadoras deixam muito a desejar no quesito qualidade, apesar de não hesitarem ao implantar reajustes e cláusulas que prejudiquem o consumidor. Como as punições pela agência regulamentadora são brandas ou inexistentes, clientes acabam à mercê das vontades das empresas - algo que não se limita ao terreno das telecomunicações no país.

Em coletiva de imprensa no dia 19 de abril, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, declarou-se favorável à limitação da internet fixa e chegou a criticar o uso da banda por indivíduos que jogam online, afirmando que são eles os responsáveis por prejudicar aqueles que usam pouco a internet: "Tem gente que adora, fica jogando o tempo inteiro e isso gasta um volume de banda muito grande".

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Além de demonstrar ignorância a respeito da indústria dos jogos online, um gigante responsável por movimentar milhões em todo o mundo e que se transformou em fonte de renda até mesmo para jogadores, Rezende generaliza o uso da banda larga a partir de uma única prática, esquecendo-se que, atualmente, a internet é um verdadeiro escritório para diversos profissionais que necessitam de um grande volume de dados para exercer seus trabalhos, como designers, editores de fotografia e vídeo, diagramadores, arquitetos, até mesmo jornalistas, entre outros - e que não têm condições de pagar por um pacote mensal de 300 ou 400 reais.

Com sua fala, o presidente da Anatel aumentou o nível de indignação entre usuários e, provavelmente sem se dar conta, provocou internautas colaboradores do movimento #Anonymous, que declararam guerra contra o órgão do governo e as operadoras. Desde ontem, 21 de abril, a página oficial da Anatel está fora do ar, e um e-mail interno foi encaminhado relatando um "DDoS pesado" na rede, com "picos de até 40 gigabits".

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Esse tipo de ataque, que em suma é baseado em requisições múltiplas a um sistema levando à negação do serviço por "congestionamento" sugere que as invasões partiram de um grande número de máquinas. 

Em vídeo publicado no canal AnonOpsBrazil, o movimento explica suas motivações e lança a hashtag #OpOperadoras:

Desde seu surgimento, Anonymous é justamente um movimento de todos e, portanto, o movimento de ninguém. Chama-se de "anônimo" porque não deve ter rosto, nem nome dominante. Qualquer indivíduo que tenha conhecimento em informática e deseje acompanhar as movimentações pela internet pode ser um colaborador do movimento. A máscara de Guy Fawkes adotada pelas pessoas que participaram das primeiras manifestações é uma referência à história em quadrinhos "V de Vingança", de autoria do anarquista Alan Moore.