Jair Bolsonaro, eleito deputado federal pelo PSC do Rio de Janeiro, pode ter o seu mandato cassado. Pelo menos é isso o que quer a OAB carioca. A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro decidiu entrar com um processo na mais alta corte do país, o STF (Supremo Tribunal Federal), no qual pede exatamente para que o mandato do polêmico parlamentar seja cassada. Além do STF, a OAB decidiu apelar para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, localizada na Costa Rica. O objetivo é que a entidade tome um posicionamento e até medidas punitivas contra o parlamentar. 

A polêmica da cassação é uma dessas voltas que o mundo dá. No domingo, 17, quando votava o seu 'Sim' pelo prosseguimento do impeachment da presidente Dilma Rousseff, Jair citou na Câmara dos Deputados e para dezenas de milhões de brasileiros, que acompanhavam a votação pela televisão, uma exaltação a um dos mais temidos torturadores da ditadura, Carlos Brilhante Ustra.

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O militar teria sido um dos torturadores de Dilma no Doi-Codi de São Paulo. 

Em entrevista ao jornal Extra do Rio de Janeiro, o presidente da OAB no Rio de Janeiro, Felipe Santa Cruz, falou sobre a elaboração do documento que agora vai ao STF. Ele, que é filho de preso político, disse que um grupo de advogados já estuda que processos cabíveis podem ser tomados para que o mandato de Bolsonaro seja cassado. 

Felipe anunciou a intenção também de que o processo vá para a Costa Rica, onde está localizada a Corte de Direitos Humanos Interamericana. Lá, advogados vão discutir até em que ponto a imunidade de Bolsonaro o preserva de apologias ao fascismo e à tortura. Santa Cruz chamou as atitudes do deputado de intoleráveis e antidemocráticas. 

Além da entrevista ao Extra, o presidente da OAB publicou uma imagem que teria fotos de vinte pessoas que foram torturadas pelo ditador Ustra.

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Após as declarações de Bolsonaro, o deputado acabou tendo um embate com Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro. Jean acusa Jair de ter segurado seu braço e tê-lo ofendido verbalmente. Em seguida, ele cuspiu no parlamentar, fato que também gerou grande repercussão na mídia. Em entrevista a jornalistas, Jean disse que cuspiria em seu rival quantas vezes quisesse e que não temia um processo ético na Câmara.  #Crime #Crise-de-governo