Na última quinta-feira, 21, a ONG Repórteres Sem Fronteiras publicou seu ranking anual de liberdade de imprensa, World Press Freedom Index 2016. Há nele uma má notícia para os brasileiros: o Brasil caiu cinco colocações em relação ao ano anterior, fixando-se na posição 104 entre os 180 países analisados. Em 2010, figurávamos na 58ª posição em nível de liberdade jornalística.

As causas? Além da tradicional violência contra jornalistas, amplamente divulgada pelos meios de comunicação e com forte repercussão na opinião pública, o documento aponta um motivo digno de autocrítica: conflitos de interesse da própria #Mídia. “A propriedade dos meios de comunicação continua muito concentrada, especialmente nas mãos de grandes famílias ligadas à indústria que são, muitas vezes, próximas da classe política”, afirma o relatório.

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Violência contra jornalistas e monopólios midiáticos atrapalham a liberdade de imprensa no Brasil

Para a ONG, a crise política e os conflitos de interesse das empresas midiáticas estariam atrapalhando o exercício do jornalismo no Brasil. O momento sensível na política nacional, com iminente impeachment da presidente Dilma Rousseff, aliado à parcialidade da mídia corporativa, seria também um dificultador do trabalho jornalístico.

O relatório diz que, “de forma velada”, os principais meios de comunicação no país estão manipulando a opinião pública para “ajudar a derrubar a presidente”. “Os jornalistas que trabalham para estes grupos de mídia são claramente sujeitos à influência de interesses particulares e partidários, e esses conflitos permanentes de interesses são claramente muito prejudiciais para a qualidade de suas reportagens”.

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Cuba tem mais liberdade de imprensa do que o Brasil

Entre os países da América Latina, até Cuba (que vive desde 1959 uma ditadura) está melhor colocada. A ilha comandada pelos irmãos Castro encontra-se na posição 174. Há outros vizinhos à nossa frente: Equador (109), Guatemala (121), Colômbia (134), Venezuela (139), México (149).

A ONG é dura nas críticas quando se trata das ações do Estado para defender a liberdade de imprensa. Diz que há “uma falta de vontade política para proteger os jornalistas de forma eficaz”.

Oficialmente, de acordo com a ONG, sete jornalistas foram assassinados no Brasil em 2015. Este saldo coloca o país como o terceiro mais mortal do hemisfério ocidental para os profissionais de mídia - à frente apenas de México e Honduras.  

Sobre o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa

Publicado anualmente pela Repórteres Sem Fronteiras desde 2002, o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa mede o pluralismo, a independência dos meios de comunicação, o ambiente de mídia e a autocensura. Também considera o ambiente legislativo, transparência, infraestrutura e estatísticas sobre abusos de poder e violência contra a imprensa. #Impeachment #Comportamento