Não será dessa vez que Michel Temer (PMDB), atual presidente em exercício do Brasil, vai conseguir colocar a cabeça no travesseiro e dormir em silêncio. Isso porque após a exoneração do ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), vazaram conversas entre ele e Sérgio Machado (PMDB-CE), político e também ex-presidente da Transpetro - empresa ligada à Petrobras -, combinando um "esquema" pra escapar das investigações da Operação Lava-Jato, comandada pelo juiz federal Sérgio Moro.

O Jornal Nacional da TV Globo exibiu uma reportagem com detalhes do ocorrido, mas ao contrário do que se esperava, fez isso em uma edição um pouco mais curta do que quando foram expostas as ligações telefônicas entre o ex-presidente Lula (PT) e Dilma Rouseff (PT), atual presidente afastada para ser investigada por crime de responsabilidade, podendo perder o cargo.

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Essa situação causou estranhamento nos telespectadores, que mais uma vez acusaram pelas redes sociais a emissora de ser "vendida" para o partido PSDB.

Apitaços e panelaços

Após a exibição da reportagem, pelo menos seis capitais dos estados brasileiros decidiram se manifestar em protesto contra Romero Jucá: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife, além de Brasília. Alguns moradores postaram vídeos das ações em suas redes sociais.

Foi possível ouvir palavras de ordem contra Michel Temer, acusando ele de dar um "golpe" no governo de Dilma.

No Rio de Janeiro, moradores de Ipanenma, Copacabana, Laranjeiras e Lagoa (zona sul), e Lapa (centro) foram às janelas bater panelas. Foi possível escutar mais protestos contra o governo Temer, chamando-o de "ladrão", "fascista" e "golpista".

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Na cidade de Niterói, também no estado do Rio, o bairro de Icaraí gritou o mesmo, além de promover um buzinaço nas ruas da zona sul da cidade.

Entenda o caso

Depois de uma semana e meia da troca de governo de Dilma por Temer, Romero Jucá pediu licença de seu cargo de ministro e exoneração para voltar ao seu estado. Ele prometeu voltar. O fato é que no mesmo dia a Folha de S. Paulo publicou uma conversa dele com o ex-presidente da Transpetro dizendo que quer um "pacto" para barrar a Operação Lava-Jato, a qual está lhe investigando. Além disso, o ex-ministro negociou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. O fato revoltou a população e virou manchete dos principais jornais de hoje.

No lugar de Jucá entra o Dyogo Oliveira, secretário-executivo da pasta. O atual ministro também é investigado pela Lava-Jato.

Ao contrário do que esperava a população, Temer divulgou uma nota dizendo que vai esperar "até que sejam esclarecidas as informações divulgadas pela imprensa". #Impeachment #Reforma política #Crise-de-governo