Rodrigo Janot pede ao Supremo Tribunal Federal investigação contra presidente Dilma, o ex-presidente Lula e o Advogado Geral da União ministro José Eduardo Cardozo.

Lula será investigado por crime de obstrução a justiça e envolvimento na tentativa de compra do silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, por meio do deputado Delcídio do Amaral, preso em novembro de 2015, sob a mesma acusação.

Na época, Teori Zavascki afirmou que o petista Delcídio, ofereceu dinheiro ao ex-diretor, para que ele não fechasse delação premiada, recomendando também, revelado na gravação, que ele deixasse o pais, prometendo facilidades na fuga para a Espanha via Paraguay, além de oferecidos valores que chegariam a R$ 4 milhões.

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As gravações, feitas por Bernardo, filho Cerveró, resultaram ainda na prisão de André Esteves, sócio do Banco BTG, também investigado por envolvimento em esquemas de propinas na Petrobras.

A presidente Dilma Rousseff também será investigada por suspeita de obstrução à justiça, quando da tentativa da nomeação do ex-presidente Lula para Ministro do seu governo.

A suspeita foi levantada em gravações autorizadas pela justiça divulgadas pelo juiz Sergio Moro, onde Dilma aparenta tentar livra-lo de uma possível prisão, falando ao telefone, que estaria enviando a Lula, um termo de posse para que ele usasse "em caso de necessidade", numa tentativa de fazer da nomeação de Lula como Ministro, um salvo conduto para eventual mandato de prisão.

Dilma ainda é citada na delação de Delcídio onde ele afirma que a presidente Dilma Rousseff tentou também influenciar as operações da Lava Jato, quando nomeou para Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Marcelo Navarro Ribeiro, afirmando inclusive que o então Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fez "movimentações" na tentativa de libertar detidos na Lava Jato.

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Em outra frente de investigação, na mesma linha de acusação, de tentativa de compra do silêncio de Cerveró, as denúncias ligam ainda o ex-presidente Lula, ao pecuarista José Carlos Bunlai e seu filho Maurício Bunlai, alegando que eles tentaram evitar que Nestor revelasse informações que envolveriam mais pessoas no esquema gigantesco de pagamentos de propina na Petrobras.

Segundo o documento, Delcídio delatou Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que ele pediu ao amigo Bunlai que fizesse os pagamentos, a família de Nestor Cerveró.

Rodrigo Janot, em documento diz que as investigações "ganharam novos contornos", que os fatos que deram origem a prisão dos envolvidos ensejaram a denúncia, constatando mediante a delação de Delcidio, que Lula e Bunlai, "atuaram na compra do silêncio" de Cerveró, a fim de proteger interesses escusos envolvendo o banqueiro José Esteves.

Para que os denunciados no documento de Janot virem réus, esta precisa ser analisada e aceita (recebida) pela segunda turma do Supremo Tribunal Federal, frisando que o pedido é sigiloso por envolver as gravações entre Dilma e Lula, a princípio divulgadas pelo juiz Moro e será analisado pelo relator Teori que já decretou anteriormente segredo nas investigações.

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Janot diz ainda que acredita que as novas provas apontam para um "desenho mais complexo e amplo" do que se projetava no início das investigações.

Também baseado na delação de Nestor Cerveró, de Delcídio do Amaral e outros executivos da Andrade Gutierres, Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, pede ao STF a inclusão de mais 29 nomes no inquérito principal, que já leva o vergonhoso nome de "quadrilhão". #Crise no Brasil #Crise-de-governo