Nesta terça-feira, 24, a Comissão da Cultura da Câmara dos deputados foi extremamente tumultuada. A partir da chegada do deputado federal Pastor Marco Feliciano, do PSC de São Paulo, artistas começaram a fazer coros de vais e chamar o parlamentar de "golpista". Irritado, Feliciano, que tem direito de falar quando quiser por ser líder do seu partido, dizia ao microfone que sequer conseguia ouvir a sua voz, pedindo que fosse dado o direito de sua manifestação de pensamento na Comissão. O cantor Tico Santa Cruz, conhecido por apoiar a presidente afastada Dilma Rousseff chegou a ficar à frente do deputado federal. Com um cartaz improvisado, ele escreveu a palavra "golpista". 

De acordo com Marco Feliciano, ele decidiu participar da sessão da Comissão para entregar um novo pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Lei Rouanet, que autoriza artistas a capitarem dinheiro para seus projetos com empresas particulares.

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Ao microfone, o representante do PSC disse que ali na Comissão não estava um movimento de cultura, mas sim de "baderna". Ele ainda revelou conhecer muito bem a área, citando o fato de ter gravado três CDs com músicas gospeis e um livro, que segundo o deputado, teria vendido mais de 20 mil cópias.

Feliciano informou ainda que qualquer um dos manifestantes teria o mesmo direito de fala caso conseguisse (que nem ele) ter mais de 400 mil votos, citando sua votação expressiva na maior cidade do país. Em outro momento, a Comissão da Cultura foi interrompida por um "beijaço" homossexual. No local, também estavam os deputados Flávio e Jair Bolsonaro, ambos eleitos pelo PSC do Rio de Janeiro. A dupla aproveitou para fazer vídeos e fotos dos beijos que eram dados pelos manifestantes.

Já em uma rede social, Marco Feliciano publicou um vídeo com o momento do tumulto na Comissão.

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"Aí estão os artistas que não querem a CPI da Cultura e lei Rouanet. Estes xingamentos são música para Meus ouvidos", escreveu ele. Em outro post, o deputado fala em acabar com supostas "regalias" dos artistas: "A mamata tá acabando. Arruaceiros não passarão". Recentemente, Marco escreveu uma postagem na qual mandava profissionais da Cultura procurarem o Ministério do Trabalho, já que o da Cultura tinha sido extinto. A pasta foi recriada e Marcelo Calero a assumiu nesta quarta.  #Governo #Crise