Após vários meses de negociação com o MPF (Ministério Público Federal), finalmente foi homologado o acordo de leniência envolvendo a empreiteira Andrade Gutierrez. Os termos vinham sendo discutidos desde outubro do ano passado, mas só foi feita a homologação na última quinta-feira (5) pelo ministro federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da operação #Lava Jato. Segundo a companhia, o acordo prevê o pagamento de R$ 1 bilhão de indenização.

Acordo

A informação do acordo veio a partir da própria empresa que, em comunicado divulgado nesta segunda-feira (9), não apenas admitiu ter cometido atos ilegais como também pediu desculpas ao povo brasileiro e propôs oito medidas ligadas a licitações e contratação para empreendimentos públicos.

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O pedido de desculpas faz parte das regras do acordo que, entre outras coisas, prevê que a empresa admita a realização de atos considerados ilícitos. Além disso, estabelece que a companhia acerte com o Ministério Público o pagamento de uma indenização, nesse caso no valor de R$ 1 bilhão. A empresa também afirma que tem buscado, desde 2013, adotar um código de ética e conduta com maior rigidez e promete não ter tolerância com qualquer ato que envolva desvios éticos ou morais.

Segundo a nota, que também é um “manifesto para um Brasil melhor”, a ideia da Andrade Gutierrez é contribuir para a discussão mais ampla a respeito da construção de um país melhor por meio da eliminação de problemas conhecidos da máquina pública como o desperdício de dinheiro e a impunidade.

Delações

A homologação do acordo de leniência veio algumas semanas após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki ter homologado delações premiadas de executivos ligados à Andrade Gutierrez.

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Os depoimentos ainda estão sob sigilo, mas, segundo fontes do jornal Estado de S. Paulo, relatariam pagamentos feitos para as duas campanhas da presidente Dilma Rousseff e também a participação da empresa em esquemas de obras da Petrobras, Copa do Mundo e Usina de Belo Monte. Entre os nomes citados no esquema de propina estariam figuras importantes do #Governo, como o ministro da Secom (Secretária de Comunicação da Presidência), Edinho Silva, e o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.

Em resposta às acusações, Silva limitou-se a emitir uma nota informando que a contabilidade da campanha da presidente passou pela devida auditoria do Tribunal Superior Eleitoral e foi aprovada de modo unânime. Além disso, em sua defesa o ministro negou possuir qualquer relação com supostas pressões para que empresários fizessem doações à campanha presidencial do PT em 2014. O ministro Berzoini, por sua vez, até o fechamento desta matéria não havia se pronunciado a respeito do tema.

Responsável pela defesa de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT e também supostamente citado nas delações, o advogado Flávio D’Urso minimizou os depoimentos como base para condenação.

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Segundo ele, sem provas que confirmem as afirmações dos delatores não é possível sustentar uma possível condenação. Já o advogado do ex-ministro Antonio Palocci, outro nome que teria aparecido nos depoimentos, José Roberto Batochio, considerou que a citação de seu cliente seria apenas uma estratégia dos autores da delação para se libertar por meio de moeda de troca. #Justiça