A pouco menos de três meses para as competições esportivas dos Jogos Olímpicos de 2016 terem início, a imprensa estrangeira começa a relatar sua visão do Brasil, para aqueles que os acompanham por noticiários ou veículos de informação no exterior. 

Depois de repercutir, na imprensa estrangeira, a falta de segurança e a violência que permeiam não só o Rio de Janeiro, mas as capitais e pontos turísticos de todo o Brasil, os repórteres também aproveitaram para relatar os problemas ambientais do nosso país e protestar contra o descaso dos políticos brasileiros.

As Olimpíadas Rio 2016 acontecem entre os dias 5 e 21 de agosto deste ano e diversos países mandaram para o Brasil seus principais jornalistas para acompanhar o andamento das obras, os preparativos para o evento e, claro, fazer a cobertura dos Jogos Olímpicos.

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Jornalistas da Europa, América do Norte e Ásia deram entrevistas ao portal de notícias G1, onde citaram a falta de preservação do meio ambiente e os desastres ambientais sem solução, como um dos grandes problemas enfrentados, atualmente, pelo Brasil.

A repórter americana Jenny Barchfield, da Associated Press, afirma que uma de suas maiores preocupações é a água poluída dos locais onde ocorrerão algumas das competições dos Jogos Olímpicos Rio 2016, como a Baía de Guanabara. Para ela, a baía é um esgoto a céu aberto e diz ter ciência dos níveis de contaminação, por ter acompanhado estudos biológicos realizados nas águas dos locais, que resultaram em índices preocupantes de contaminantes e materiais tóxicos.

A jornalista María Martin, do periódico espanhol El Pais, bate na mesma tecla da repórter americana - a poluição da Baía de Guanabara é considerada preocupante, mas ela ainda cita o esgoto a céu aberto que contamina outros complexos como as lagoas que estão localizadas nos arredores do Parque Olímpico.

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Para Maria Martin, o grande problema do Brasil são as promessas feitas pelos políticos e os desrespeito com o meio ambiente ao não cumprir com aquilo que se comprometeram, além do desvio de dinheiro e a falta de estrutura em locais em que os investimentos foram supostamente altos.

Por fim, o jornalista alemão Juan Pablo Mondini, da TV Pública da Alemanha, concorda com os problemas políticos e econômicos citados pela espanhola Maria Martin que afetam diretamente a restauração do meio ambiente brasileiro. Ele contou que um dos grandes problemas do Brasil é a falta de transparência na hora de contabilizar e levar a público os gastos e aplicações realizadas em obras de parceria público-privada. O desastre ambiental na cidade de Mariana, em Minas Gerais, é um dos grandes exemplos. A responsável pelo acidente, a empresa Samarco, até agora não prestou contas do que já fez para recuperar a cidade que foi completamente destruída e quais ações está tomando para restaurar a diversidade da fauna e flora local, além das cidades vizinhas que também foram afetadas.

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Desastre ambiental em Mariana (MG): ainda sem solução

Para quem não se lembra, o acidente em Mariana (MG) trata de um rompimento de uma barragem da Samarco que provocou uma avalanche de lama que inundou e destruiu o Distrito de Bento Rodrigues, além de avançar por grande parte do curso do Rio Doce. Várias pessoas acabaram desabrigadas, vidas foram perdidas na tragédia, os impactos ambientais foram diversos - a lama que invadiu a cidade é de rejeitos de minério, cheios de constituintes químicos e materiais pesados que podem impedir o crescimento da flora naquele local e impedir a reabitação da fauna.

Além de tornar a terra infértil, a água dos principais rios, mais especificamente o Rio Doce, acabou sendo contaminada e diversas espécies foram devastadas, afetando também a população local, que dependia da pesca com meio de subsistência. #Rio2016 #Crise econômica #Protestos no Brasil