Um fato notório que vem chamando a atenção dos policiais federais é a mudança de comportamento do principal herdeiro do grupo Odebrecht. Depois de cumprir pena por um ano a ser completado no próximo dia 19, Marcelo Odebrecht vem surpreendendo a todos pela mudança em sua conduta dentro da carceragem. De comportamento arredio e tido como arrogante, ele passou a ser mais colaborativo diante das circunstâncias financeiras que a empresa que dirigia se encontra e, principalmente, pela pressão exercida por seu pai, Emílio Odebrecht, que ainda o considera imaturo e inexperiente para o tipo de negócio da família.

Ríspido e averso a qualquer tipo de gestos evasivos, Marcelo Odebrecht passou a ser considerado 'gente boa', na gíria utilizada entre os policiais e carcereiros que monitoram a permanência do ex- presidente de um dos maiores grupos empresariais do país, no Complexo Médico Prisional em Curitiba.

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A mudança foi tamanha que ele passou até a dividir o mesmo aparelho de televisão com o ex-doleiro Alberto Youssef. Ambos se encontram no mesmo pavilhão e as grades das celas costumam ficar abertas. No mesmo complexo, estão também o ex-deputado Pedro Corrêa e Nelma Kodama. Antes, o empresário chegou a dividir a cela com um traficante de drogas.

A pressão da família e o ultimato do pai, Emílio Odebrecht

Toda a arrogância de Marcelo Odebrecht começou a mudar desde que ele começou a ser pressionado pela própria família para assinar a delação premiada. Até o final do mês de dezembro do ano passado, o empresário ainda despachava como presidente do grupo de dentro da prisão. Eram constantes as idas e vindas de advogados e representantes da empresa que vinham tomar nota das suas determinações. No entanto, o envolvimento da empresa no esquema de pagamento de propinas contribuiu para acarretar uma crise financeira.

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Com a suspensão dos contratos por causa da repercussão do escândalo, a empresa começou a se afogar em dívidas que chegaram a R$ 90 bilhões. Isto foi suficiente para que seu pai, Emílio Odebrecht, lhe desse um ultimato: aderir à delação premiada ou ver o grupo ir à falência. Além disto, ele teve que deixar a presidência das empresas. No mundo dos negócios seria muito difícil qualquer banco conceder empréstimo a uma organização empresarial, cujo dirigente estivesse preso.

A própria soberba e a falsa certeza de que não ficaria muito tempo preso foram os principais responsáveis por complicar a sua situação na Justiça. Por julgar-se tão esperto, o empresário aprofundou a sua culpabilidade no esquema ao tentar destruir provas e assim contribuir para obstruir a Lava Jato. Isto foi o suficiente para que o juiz Sérgio Moro decretasse a sua prisão, e, assim, a sua transferência da sede da Polícia Federal (PF) para o Complexo Prisional em Curitiba. De acordo com alguns policiais, ele costumava agir com arrogância nos próprios depoimentos, onde trocava responder aos questionamentos como todo réu comum, por declarações escritas com conteúdo bastante desconexo e evasivo.

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Apesar de estudar no exterior e ser considerado inteligente, Marcelo era tido ainda como ingênuo, imaturo e inexperiente pelo próprio pai. Este confessara isto a um círculo restrito de amigos quando se referiu ao fato do filho criar dentro da empresa um setor para administrar o repasse de propinas, além de querer tentar enganar a PF, ao negar que pagasse propinas às empresas no exterior, fato provado através dos dados de relatórios de investigação. #Lava Jato #Corrupção #Crise-de-governo