BN: Qual a sua opinião sobre a postura do Brasil quanto ao #Terrorismo?

RG: A diplomacia brasileira tem adotado uma estratégia que talvez possamos classificar como  conservadora no que diz respeito ao terrorismo. Mas, sinceramente, acho prudente. A presidente afastada Dilma Rousseff foi cuidadosa ao abordar a questão do Estado Islâmico na ONU, e foi muito criticada por essa postura. Houve cobranças de que o governo estaria protegendo supostos terroristas por não defender uma intervenção militar. De minha parte, creio que devemos tomar cuidado com decisões precipitadas. Não podemos esquecer que foi justamente a ação norte-americana no Iraque, em 2003, que deu condições para o crescimento do próprio Estado Islâmico.

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Então, antes de pensar em intervenção militar, é preciso analisar a situação e ter consciência dos eventuais problemas. Isso sem falar dos riscos inerentes à qualquer ação militar, como perda de vidas, erros de alvos e prejuízos à soberania do país.

BN: Brasil deveria ser mais ativo em vez de se limitar a notas de repúdio ou manter certa distância, nesse caso, é compreensível?

RG: Apoiar uma intervenção é, de certa forma, ser co-responsável por eventuais problemas causados pelas forças de ataque. Fora isso, creio que devemos fazer uma auto-crítica e assumir que, enquanto sociedade, não estamos preparados para lidar com esse tipo de agenda. Não sabemos o que é terrorismo, não entendemos a complexidade política e cultural do Oriente Médio e nem compreendemos o islamismo.

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Por conta disso seria arriscado um chefe de Estado brasileiro assumir determinadas posturas mais ríspidas em relação ao Estado Islâmico, por exemplo, simplesmente para atender a pressão popular. Caso isso acontecesse, o assunto certamente entraria mais na pauta dos veículos de comunicação, e veiculado de forma rasa. Correríamos o risco, em pouco tempo, de passarmos a discriminar ainda mais os muçulmanos que vivem no Brasil, pois a falta de conhecimento do assunto levaria muitas pessoas a classificar todo muçulmano como terrorista. #Ataque Terrorista