Será publicado nesta terça-feira, 7 de junho, um decreto onde o presidente interino Michel Temer determina à Aeronáutica a disponibilidade de uma aeronave da Força Aérea Brasília dedicada aos chamados relacionados ao transporte de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para transplantes.

Segundo Temer, é uma "tristeza cívica" e "preocupante" saber que muitos órgãos deixaram de ser transportados por não haver uma aeronave exclusiva para esse fim. Só a FAB recusou, no período de 2013 a 2015, o transporte de 153 órgãos como pulmões, corações, pâncreas, rins, ossos e fígados.

Muitas vezes, nesses momentos, as aeronaves eram usadas para transporte de líderes do executivo, ministros e presidentes do Senado e Câmara.

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Corrida contra o tempo

Lideram a lista de órgãos recusados por falta de transporte: fígado, pâncreas e coração. Um coração tem qualidade para ser transplantado por até 4 horas sem irrigação sanguínea.

Durante cinco anos, a Central Nacional de Transplante (CNT) recusou 347 corações ofertados, um a cada cinco dias; foi também recusado, em média, um fígado por semana, pela falta de transporte aéreo ou para deslocamento do hospital até o aeroporto.

Somente durante o ano de 2014, 70 corações foram recusados por motivo de logística. Em 2015, esse número chegou a 71. 

Na contramão da situação se encontram pacientes do Brasil inteiro, sofrendo há meses, às vezes anos, à espera de uma boa notícia da CNT. Muitos recebem uma ligação a respeito do órgão disponível, porém logo depois vem a triste notícia de que o procedimento não dará certo, em geral, pela falta de transporte.

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O Ministério da #Saúde diz trabalhar para melhorar e otimizar a logística de transplantes no Brasil. Estão sendo feitos acordos de cooperação com todas as companhias aéreas e credenciamento de equipes. Espera-se também o auxílio das centrais de transplante dos estados para viabilizar o transporte do órgão captado. 

No Brasil, existem 27 centrais locais de notificação e distribuição, além de 460 centros de transplante e 1,2 mil equipes especializadas. #Governo #Tratamento