Em entrevista dada com exclusividade à revista IstoÉ, publicada na noite de sexta-feira, 24, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, eleito pelo PMDB do Rio de Janeiro, decidiu falar pela primeira vez sobre o que pode ter sido uma compra de influência na Câmara dos deputados para barrar o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. De acordo com o deputado que pode ter seu mandato cassado, Dilma mandou o então Ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, tentar fazer com ele uma negociação.

Em troca do apoio de Cunha contra o impeachment, arquivando o processo contra Dilma, deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) poderiam ajudar Cunha no Conselho de Ética.

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Por um voto, o Conselho acabou aprovando recentemente a cassação do parlamentar. Para que essa tenha valor definitivo, ainda é necessário uma votação no Plenário da Câmara. No entanto, a etapa no Conselho era considerada a mais importante para definir o futuro político de Eduardo. 

“Todas as vezes em que ele esteve comigo, deixou claro que relatava todas as conversas para Dilma e que ela sabia", revelou o ainda deputado. Segundo ele, tudo ficou ainda mais grave quando o Ministro da Casa Civil esteve com ele no dia 12 de outubro, feriado de Nossa Senhora Aparecida. Wagner teria dito ao parlamentar que conversara com Dilma e que ela apoiava a negociação. "O que comprova, mais uma vez, que ela participava e sabia de tudo”, esclareceu o peemedebista. 

Cunha disse que repudiou  a tentativa do governo dizendo que ele não seria capaz de protegê-lo.

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Ao todo, teriam sido realizadas pelo menos três reuniões entre o deputado e Wagner. No terceiro encontro, quem organizou a conversa foi o presidente em exercício Michel Temer. Ele, no entanto, não quis saber do conteúdo do que ali seria tratado. “Jaques Wagner ofereceu não só os votos no Conselho de Ética, mas o controle total do presidente do Conselho”, fez a revelação fatal o parlamentar que pode ajudar a derrubar a presidente afastada. A previsão é que a votação contra ela ocorra até o final de agosto.  #Dilma Rousseff #Eduardo Cunha