Nesta última sexta (16), a mãe dos irmãos gêmeos Antônio e Benício, de 3 anos, foi surpreendida por um bilhete enviado por uma coordenadora da #Escola Educandário Elaine Nascimento, em Duque de Caxias, onde eles estudam.

O recado era claro: “Olá mamãe Débora! Peço que se for possível que apare ou trance os cabelinhos dos seus meninos, eles são muito lindos, mas, eu ficaria mais feliz se os cabelos deles fossem mais baixos ou que ficassem presos. Beijos da Fran”, era o que dizia o bilhete.

Como os gêmeos são negros, a mãe, Débora Figueiredo, e o restante da família ficaram muito revoltados com os termos utilizados por esta profissional da área de educação.

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Depois disso, ela escreveu um desabafo em seu Facebook dizendo:

“Meus filhos foram vítimas de preconceito por causa dos cabelos deles, recebi hoje uma mensagem escrita pela coordenadora da escola que até então eu respeitava”, desabafou ela. Logo após a publicação, a mensagem se espalhou de forma que se tornou um dos assuntos mais comentados pela internet.

Nesta última segunda (20), Débora foi até a escola junto com o seu advogado a fim de tirar a história a limpo. A diretora e proprietária da escola, Eliane Nascimento, disse que só esclareceria o ocorrido para a mãe e seu advogado, então uma nova reunião foi marcada para esta quarta (22).

Segundo Eliane, a intenção da coordenadora, que é sua filha, não foi mostrar qualquer tipo de preconceito e ainda defendeu os termos utilizados no bilhete.

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Pelo que ela afirmou, há um grande surto de piolhos acontecendo na escola e o alerta da profissional foi para que houvesse a proteção dos gêmeos, que possuem cabelos cheios e mais propensos à contaminação.

O termo piolho não foi adicionado ao bilhete, pelo simples fato de que, muitas vezes, não são os próprios pais que buscam os seus filhos na escola. Por isso, ela não quis ser tão direta, foi o que afirmou Eliane.

“De jeito nenhum houve preconceito, meu marido também é negro e aqui nesta escola nós aceitamos pessoas de religiões e etnias diferentes, sem discriminação”, disse a diretora para se defender.

Já, Débora, não volta atrás com sua indignação: “Eu mesma já fui vítima de preconceito na infância, sofri muito. Meus pais viviam me dizendo o quanto eu era linda, mas nunca foram até a escola para reclamar, não quero que isso se repita com meus filhos”, disse ela.

A diretora afirmou que no dia 3 de junho, durante a reunião dos pais, o assunto referente aos piolhos foi abordado. E Débora, por sua vez, diz que recebeu a circular sobre o surto de piolhos, mas que o bilhete recebido era diferente, pois falava especificamente dos cabelos dos meninos.

Além dos gêmeos, Débora também tem um outro filho de dois anos, que estuda na mesma escola. Há sete meses, ela perdeu o seu filho caçula, que tinha apenas oito meses. #Crime #Racismo