Depois do estupro coletivo contra uma menor no Rio de Janeiro, a mobilização contra este tipo de crime está mobilizando o país. Porém, além da indignação, os protestos estão gerando uma reação perigosa. Nas últimas 24 horas, duas pessoas foram espancadas devido à semelhança com estupradores, que tiveram retratos falados divulgados pela Polícia Civil.

Em São José dos Campos, no interior de São Paulo, um jovem de 23 anos foi agredido por um grupo de homens próximo à Praça Afonso Pena. Ele foi socorrido pelo segurança de um restaurante das imediações, que acionou a Polícia. A semelhança com o criminoso procurado confundiu também a Polícia que o conduziu até a Delegacia, onde acabou liberado por não ter sido reconhecido pela vítima.

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No início da tarde desta sexta-feira (03/06), a Polícia Militar divulgou que o autor do estupro foi capturado depois de uma denúncia anônima. Ele foi reconhecido por meio do retrato falado e agredido por populares.

O outro caso ocorreu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Um homem de 35 anos foi confundido por um grupo de oito pessoas não identificadas e espancado brutalmente. A vítima sofreu traumatismo craniano e está internado em estado grave no Hospital Cristo Redentor.

Segundo a delegada Tatiana Barreira Bastos, titular da Delegacia da Mulher, o homem não tem nenhuma vinculação com o estupro. Em entrevista ao G1, a delegada informou que o estuprador procurado tem cerca de 25 anos, é calvo, magro e alto.  “As pessoas acharam algo parecido, mas as características não fecham”, disse a delegada, destacando que  a única coincidência é que o homem espancado estava no local onde a vítima de 19 anos foi abordada, na Avenida Cristiano Fischer, próximo à PUC.

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“Temos que orientar que as pessoas não procedam dessa maneira, porque a abordagem deve ser feita pela polícia.  Não temos a identidade do estuprador, e não é esse tipo de abordagem que deve ser feita”, ressalta. “Se as pessoas acharem um suspeito, devem ligar para o 190 imediatamente, porque é melhor a gente perder um suspeito do que matar um inocente, como quase aconteceu neste caso”, concluiu. #Mídia #Comportamento #Casos de polícia