Em 20 de junho de 2010, dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo, houve uma festa no município de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, em que ocorreu uma briga. Dois amigos de Alexandre Ivo, homossexuais, foram agredidos na confusão e o rapaz os acompanhou ao pronto-socorro e depois à delegacia para registrar um boletim de ocorrência. Saindo da delegacia, todos retornaram à festa.

Enquanto aguardava o ônibus para voltar para casa, por volta de 2h30 da manhã, Alexandre foi sequestrado. De acordo com laudo do IML, ele foi espancado, torturado e assassinado por estrangulamento. Seu corpo foi encontrado às 10h da manhã do dia 21, em um terreno baldio, com o crânio esfacelado, provavelmente por ter sido apedrejado.

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A motivação do crime? Alexandre, de apenas 14 anos, era gay.

À época, o delegado Geraldo Assed confirmou a suspeita de que um grupo de skinheads teria cometido o crime. O exame de DNA de amostras de sangue coletadas no carro do brigadista Eric Boa Hora Bedruim, um dos acusados, identificou que 13 das 15 amostras apresentavam compatibilidade com o material cedido pela mãe Alexandre Ivo. Eric, de 22 anos, e outros dois suspeitos, Alan Siqueira Freitas, também de 22, e André Luiz Cruz Souza, de 23, chegaram a cumprir prisão preventiva pela prática de homicídio doloso por motivo torpe, mas foram liberados 30 dias depois, em habeas corpus, por serem réus primários, terem residências fixas e devido a insuficiência de provas para a condenação.

O processo foi comprometido por erros cometidos desde o início das investigações e se arrasta até hoje. 

No ano seguinte à morte de Alexandre, a juíza que cuidava do caso, Patrícia Aciolli, foi assassinada em uma emboscada, em Niterói, na madrugada de 12 de agosto.

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Em sua mão passavam casos de grupos de extermínio e milícias da região e, de acordo com familiares, já havia 5 anos que estaria sendo ameaçada de morte. Aciolli ouviria, no dia 11 de agosto, os acusados pelo assassinato de Alexandre, mas preferiu remarcar a audiência para 12 de setembro, pois já passavam das 22 horas. #Violência #Homofobia #LGBT