O atentado em Orlando contra a boate Pulse deu força ao debate sobre a #Homofobia, ou seja, a repulsa por homossexuais, e seus efeitos na sociedade. Diante de informações de que o atirador frequentava a casa noturna e era usuário de aplicativos de encontro entre homens, a mídia passou a alardear que Omar Mateen seria um homossexual enrustido. Porém, o comportamento de Mateen é algo clássico em se tratando de indivíduos que cometem crimes contra LGBTs: 90% dos assassinos analisam o local frequentado por suas vítimas com cautela e antecipação, observando a rotina de seus alvos e para onde costumam ir. 

É mais provável que Mateen tenha agido estrategicamente, analisando o comportamento homossexual para escolher um local específico para um ataque de maior impacto, e não que tenha ido à casa noturna anteriormente para dar vazão a desejos reprimidos.

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Além do mais, mesmo que parte da motivação para seus atos possa ser a de tendências homossexuais contra as quais ele lutava ou que desejava esconder, a homofobia continua sendo uma razão importante pela qual ele fez o que fez.

No Brasil, discursos que negam a existência de um forte sentimento contra a comunidade LGBT, movido pela discriminação e o ódio, são reforçados inclusive pelo posicionamento de líderes políticos e religiosos. Figuras públicas como Marco Feliciano, Silas Malafaia, Jair Bolsonaro, entre outros, questionam a necessidade da luta pelos direitos de indivíduos #LGBT e se recusam a reconhecer o fato de que minorias ainda são vítimas do preconceito e do discurso de ódio fomentado por eles mesmos.

Apesar da negação por parte de alguns, os dados comprovam a extensão de crimes movidos por ódio a homossexuais, bissexuais, transexuais e transgêneros, cuja motivação está majoritariamente no desprezo pelo outro.

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Um grande problema advindo da manutenção desse discurso, que insiste em negar crimes com motivação LGBTfóbica, é a decisão por não notificar as agressões. Envergonhadas, as vítimas acabam por desistir de registrar suas queixas, acreditando que seus casos nem mesmo serão investigados.

Segundo Agripino Magalhães, assessor de comunicação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, em entrevista ao portal R7, "de 80 a 90% dos LGBTs que são agredidos, que sofrem homofobia, não denunciam. Por medo, pelo mau atendimento nas delegacias ou por medo da repressão da própria polícia".

Desde janeiro deste ano o Brasil teve 132 assassinatos documentados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) em sua página, dedicada à denúncia de crimes contra a comunidade LGBT no país. Segundo o relatório de 2015, o estado com maior número de assassinatos de pessoas LGBT é São Paulo, seguido pela Bahia. #Violência