Com exclusividade, a Blasting News Brasil conversou com o cientista político e coordenador da pós-graduação em diplomacia empresarial da FMU, Rodrigo Gallo. Nessa primeira parte da entrevista, o especialista fala sobre a postura dos países ocidentais quanto ao #Estado Islâmico e sobre como a França se reergue após os atentados em Paris no dia 13 de novembro de 2015.

Blasting News Brasil: Em entrevista publicada pela Exame em janeiro, você dizia que o desafio para o Ocidente em 2016 era chegar em um acordo sobre como combater o EI. Acredita que houve um consenso e os países ocidentais estão alinhados nessa luta?

Rodrigo Gallo: Eu diria que houve um consenso quanto à necessidade de se combater o Estado Islâmico.

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As principais potências globais concordam que as ações do grupo são prejudiciais ao sistema internacional. Elas só não admitem publicamente que uma das principais preocupações é o petróleo: qualquer ação paramilitar na região do Oriente Médio pode afetar o preço do barril, o que é nocivo às economias Ocidentais. Então, há convergência quanto à necessidade urgente de derrotar o grupo e restabelecer a soberania do governo sírio. Entretanto, independentemente de qualquer coalizão militar, possivelmente o momento posterior à derrota do Estado Islâmico será tenso. Se russos e norte-americanos concordam que o grupo precisa ser derrotado, eles continuam divergindo no que diz respeito ao futuro do governo sírio. Para os russos, interessa que Bashar al-Assad seja mantido no poder, pois é um aliado histórico de Moscou - e um dos poucos aliados fortes na região.

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Para os norte-americanos, interessaria estimular uma transição supostamente democrática no país, de modo a tentar influenciar a eleição de um governante aliado dos Estados Unidos - e assim ampliar sua influência na região, ao mesmo tempo em que faria com que a Rússia perdesse influência. Essa é uma questão que não me parece resolvida, e deve gerar muito impasse.

BN: A França contará com mais de 90 mil agentes de segurança envolvidos diretamente na Eurocopa, que começa na sexta. O aumento do efetivo é suficiente para evitar tragédias como a de novembro de 2015 em Paris?

RG: O simples aumento de efetivo não. Não podemos esquecer que a França foi alvo de dois ataques em 2015, primeiro contra a sede da Charlie Hebdo, em janeiro, e depois contra vários alvos em Paris, em novembro. Ou seja, mesmo em estado de alerta houve um segundo ataque. Ampliar o efetivo ajuda a combater os efeitos em si, mas é fundamental que já tenha ocorrido um trabalho de inteligência. Nesses casos, é necessário combater as causas do problema.

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Isso pode ser feito a partir do monitoramento de indivíduos suspeitos e das redes sociais e da identificação de eventuais células, por exemplo. O aumento do número de agentes de segurança ajudam se esses profissionais estiverem trabalhando com a prevenção de ataques. Do contrário, eles somente seriam acionados para agir em caso de problemas. De qualquer modo, o aumento do número de patrulhas nas ruas serviria para aumentar a sensação de segurança.

  #Terrorismo #EUA