Um advogado, de 45 anos, presenciou o crime que tem mexido com a opinião pública de São Paulo. Ele estava na região da Zona Sul, quando dois meninos, um com 10 e outro com 11 anos roubaram um carro. Em seguida, policiais começaram uma perseguição. Na versão da PM, houve troca de tiros. O garoto de 10 anos morreu. O seu amigo, que sobreviveu, deu três depoimentos desde o #Crime. Em cada um deles, uma nova versão. O primeiro era idêntico a dos investigadores. O segundo já dizia que o menino morto atirou, mas que teria se rendido antes de ser morto pelos policiais. No último, a criança relata que sequer o morto estaria armado.

O advogado, testemunha ocular do fato, preferiu não identificar o nome em entrevista à 'Folha de São Paulo', mas disse que viu alguém no carro dos meninos atirar.

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A corregedoria da PM ouvirá o homem nesta quarta-feira, 08. Ele deve ajudar na defesa dos policiais, que foram criticados por matar o menos. Diversas entidades chegaram a dizer que um menino de 10 anos não teria condições físicas de dirigir um carro com uma mão e atirar com outra. Não é a primeira pessoa que confirma os tiros, mas é o advogado a primeira que se dispôs a ir na delegacia explicar o que viu. Muita gente tem medo de dar qualquer depoimento. 

A criança que faleceu depois de roubar um carro teve cinco apreensões pela Polícia, além de ter passado 20 vezes pelo Conselho Tutelar. A mãe do garoto foi presa seis vezes. O pai está preso desde 2013. A prisão foi motivada por tráfico de drogas. A mãe do menino chegou a acusar os policiais a terem plantado uma arma no local do crime, alegando que na favela nenhum traficante vende armas para crianças.

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Em seguida, ela deu certeza que o filho não sabia atirar.

Durante o enterro do garoto, uma prima disse sabia que ele roubava bicicletas na região, mas que sempre devolvia por ser um "doce". O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, dizia que tinha certeza que os menores atiraram após ver vídeos de imagens de segurança do local. Ele, no entanto, pediu calma para que as investigações fossem feitas. #Investigação Criminal