Sabe-se que, em países pobres, as perdas são significativas no processo de produção, na colheita, no transporte e no armazenamento dos alimentos, enquanto nos mais ricos, o desperdício se concentra nos mercados, nos pontos de consumo, como restaurantes e hotéis, assim como nas residências. Mas, de acordo com Gustavo Porpino, analista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil apresenta problemas de perdas em todas essas etapas, o que coloca o país entre os 10 maiores desperdiçadores de alimentos.

As pesquisas concluíram que as perdas brasileiras estão assim distribuídas: 10% na colheita, 50% no manuseio e transporte, 30% nas centrais de abastecimento e 10% nos mercados e nas casas.

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Os dados foram apresentados e discutidos no evento Sustainable Food Summit da América Latina, promovido pela Rede Save Food Brasil, ocorrido no último dia 30 (quinta-feira), em São Paulo, SP, que trouxe ao debate a perda e o desperdício de alimentos em todo o mundo.

Dados alarmantes também vieram dos Estados Unidos: segundo o pesquisador da Embrapa, o Departamento de Agricultura daquele país informa que, naquele país, "31% das terras agricultáveis são ocupadas para produzir alimentos que nunca serão consumidos e 41% da produção agropecuária americana, que é a maior do mundo, não chega a ser consumida".

De acordo com o portal Nações Unidas no Brasil (ONUBR), "cerca de um terço de todos os alimentos é perdido ou desperdiçado em todo o mundo, em processos que envolvem desde a produção da comida até o seu consumo, ao mesmo tempo em que 800 milhões de pessoas encontram-se subnutridas".

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Acrescente-se, ainda, a contribuição de 8% oferecida pela emissão de gases sobre o efeito estufa no planeta, resultado da fermentação do material orgânico desperdiçado.

Diante dessas constatações, a #ONU anunciou no início do mês passado o lançamento do primeiro padrão global para medição do desperdício e da perda de alimentos no mundo. O chamado Food Loss & Waste Protocol (FLW Protocol) foi desenvolvido para quantificar alimentos e/ou partes não comestíveis associadas e removidas da cadeia de abastecimento alimentar. O instrumento deverá auxiliar governos e empresas a localizar e quantificar as perdas e os desperdícios com vistas a minimizá-los. #Sustentabilidade