A rede social Twitter foi utilizada por uma jovem brasileira na intenção de conseguir participar de grupos ligados ao Estado Islâmico (EI). A resposta não demorou a chegar, e foi enviado através de um perfil anônimo que escreve usando o idiomas árabe, turco e inglês: “clique no link abaixo e faça parte do nosso canal.”

No link divulgado, foram encontrados diversos vídeos, textos relacionados à religião e fotos a cada três horas. Imagens de gente morta e decapitações são frequentes e acompanhadas de homenagens aos “mártires” assassinados em combates. Também é possível encontrar detalhes sobre territórios que foram conquistados pelo grupo de terroristas do Oriente Médio.

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Várias outras publicações são registradas, explicando detalhes da guerra iniciada pelo domínio de territórios na Síria e também no Iraque, o conteúdo encontrado estava em português. “Pela bondade de Allah, nossos militantes do Califado enfim conseguirão detonar dois veículos BMP e danificar um veículo Hummer, queimando dois quarteis que eram utilizados para o agrupamento do exército da milícia Ráfide, acabando com a vida de todos que lá estavam.”

Nos últimos dias, aproximadamente 10 brasileiros que supostamente são simpatizantes do extremismo foram descobertos e detidos pela Policia Federal, todos suspeitos de envolvimento com os planos de ataques nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Para o ministro da Justiça, esses suspeitos estão repartidos em mais de 10 estados e não se conhecem pessoalmente.

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Usavam perfis iguais apenas para manter contatos. Alguns deles chegaram a fazer juramentos de fidelidade ao EI.

Profissionais da rede BBC Brasil contam que a intenção dos organizadores é aumentar o número de pessoas que vivem distantes do Oriente Médio, assim conseguindo estimular e reunir aquelas que concordam com as intenções do grupo, mas que ainda não estão fazendo parte de suas estruturas formais.

As pessoas que estão envolvidas nesses grupos normalmente se sentem excluídos socialmente e quando se juntam a grupos extremistas, mesmo que através da internet, passam a se sentir valorizados em comunidades. Conseguimos perceber isso pelo termo ‘lobo solitário’ que passa como um elogio para eles que estão em busca de atenção.

Estudiosos ainda afirmam que a aceitação de novos membros é mais fácil em países da Europa, onde o fator religioso está relacionado à exclusão social. Já no Brasil, onde existem diferentes crenças religiosas e boa aceitação de imigrantes, é mais difícil o recrutamento.

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“No Brasil eles podem tentar usar a exclusão social e preconceito em seus discursos, assim tentando chamar a atenção de pessoas que sofrem com isso”.

Alguns dados que foram divulgados por agências como a Global Risk Awareness e também o site Intelligence Group, localizados no Estados Unidos, explicam que EI possivelmente está usando algumas salas de bate-papo do Telegram para organizar ataques durante a Olimpíadas.

Eles oferecem dicas para de como obter passaportes e também armamentos através das fronteiras no Sul do país ou em favelas cariocas. Estrangeiros estariam sendo convocados a utilizar diversos recursos, como provocar acidentes de transito, envenenamentos, explosivos e a utilização de objetos pontiagudos. Entre seus alvos principais estariam as delegações da França, Inglaterra, Israel e Estados Unidos.

As prisões realizadas no Brasil de pessoas que estão ligadas ao terror do Estado Islâmico conseguiram provar que nosso alcance para deter esse tipo de acontecimentos está se ampliando. “Infelizmente nenhum pais que ofereça acesso à internet está imune”, analisa Rita Katz, que atua como diretora do SITE Inteligence Group, através de seu Twitter. #Terrorismo #Rio2016