Relator do projeto "#Escola sem Partido" na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, quando concedeu parecer favorável à medida, o deputado Diego Garcia (PHS-PR) teve um momento desagradável na última quarta (20). Tudo aconteceu quando o deputado e um grupo de correligionários políticos ocupavam um salão nobre da Universidade Estadual do Paraná (UENP), no município de Jacarezinho, realizando uma convenção para escolha de candidatos a prefeito e vereador do município pelos partidos PHS e PTN.

Mal visto por aprovar uma matéria que conta com desaprovação de diversos setores da sociedade, o deputado foi surpreendido por um grupo de acadêmicos que gritava-lhe palavras como "golpista" e "fascista".

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Segundo um dos manifestantes, o deputado tem o apelido de "purinho" por ter "postura arrogante de quem não possui pecados".

Assista ao vídeo:

A Polícia Militar foi chamada para conter os manifestantes e fazer a escolta do deputado.

Em nota, o Centro Acadêmico de História (CAHIS) repudiou o evento político realizado dentro da universidade e intensificou críticas ao deputado que, além de ser a favor do projeto, defende que temas como a diversidade de gêneros não sejam discutidos academicamente. A nota reitera que a PM foi chamada para intervir numa manifestação pacífica e que dois alunos foram atingidos por gás lacrimogênio.

Polêmica

O "Escola Sem Partido" é um projeto que pretende coibir qualquer manifestação política (não apenas político-partidária) em sala de aula, com a acusação de que constitui "doutrinação" e prega a "neutralidade".

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Para a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, a proposta é inconstitucional, pois pretende "legislar" sobre o que o professor pode ou não falar ao exercer a sua profissão. De certa forma, é uma censura ao livre pensamento. A opinião do órgão foi manifestada à Procuradoria-Geral da República (PGR).

O documento apresentado à PGR alega que o principal objetivo da educação é desenvolver as pessoas plenamente e capacitá-las para a cidadania e que este objetivo é ferido pela proposta. "Essa ordem de ideias não é fortuita. Ela se insere na virada paradigmática, produzida pela Constituição Federal de 1988 e pauta-se por uma concepção plural da sociedade nacional", diz a nota escrita por Deborah Duprat, a procuradora federal dos Direitos do Cidadão.

No momento, o projeto está no Senado Federal. O DataSenado criou uma enquete no site do órgão questionando a opinião dos internautas sobre o tema. No momento, há mais manifestações contrárias que a favor. #Governo #Protestos no Brasil