O pastor evangélico Milton França Fernandes, da igreja Batista Bíblica Salém, de Porto Sauípe, na Bahia, entregou os pontos. Após dizer que não retiraria a placa homofóbica da fachada de sua igreja mesmo que fosse preso, o religioso voltou atrás. A placa, que dizia "se um homem tiver relações com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento", não está mais na fachada da igreja, após passar três anos em exposição. A publicidade foi retirada após uma conversa do pastor com o Ministério Público da Bahia.

O religioso foi intimado a comparecer ao Ministério Público para explicar a mensagem que incitava o crime, comportamento punido pelo código penal brasileiro que pode resultar em prisão de três a seis meses.

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Em conversa com o Blasting News no dia 21 de julho, o pastor disse que nada o faria retirar a placa. Disse ainda que, se fosse condenado à prisão, não veria problemas, "pois iria evangelizar os presos". O Blasting News foi o primeiro veículo de comunicação a fazer a denúncia. 

O promotor de Justiça Dario José Kist disse ao G1 que a retirada da placa já atende a um dos objetivos da entidade ao intimar o pastor. Mas que isso não inocenta o religioso. De acordo com Dario, o Ministério Público ainda está analisando se irá propor uma ação penal contra Milton Fernandes.

Depoimento

Em depoimento ao MP, Milton Fernandes disse que pediu a morte dos gays "por amor" a eles. De acordo com o fundamentalista, a ideia era mostrar aos homossexuais que eles estão errados ao viverem suas sexualidades. O pastor ainda acrescentou que Deus não vai mudar suas regras.

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Para ele, não são as igrejas que devem se adequar à sociedade, e sim a sociedade que deve se adequar à visão das igrejas sobre o certo e o errado. Para justificar o recuo, o pastor disse que está seguindo a lei de Deus ao retirar a placa homofóbica. "O respeito às autoridades também está previsto na Bíblia", opina.

Uma outra placa que também estava afixada na frente da igreja, com os dizeres ""Você é livre para fazer suas escolhas, mas não é livre para escolher as consequências", continua exposta em Porto Sauípe. De acordo com o pastor, a placa não tem como alvo os homossexuais, mas sim os usuários de drogas da região.  #Fanatismo religioso #Homofobia #LGBT