Mayra de Souza, de 27 anos, é estudante e milita no movimento social Levante Popular da Juventude, em Samambaia, no Distrito Federal. Na madrugada de terça-feira, 28 de junho, quando estava em um bar com amigas, foi abordada por um homem que proferia xingamentos lesbofóbicos e que, ao ser pedido para se afastar da mesa das mulheres, começou a gritar "Bolsonaro 2018!".

Quando Mayra saiu do estabelecimento para fumar um cigarro, levou o primeiro soco no olho esquerdo e, caindo no chão, recebeu outro, no queixo. O agressor, identificado por membros do movimento LGBT, chama-se Diego Oliveira da Rocha. Ele fugiu logo após golpear Mayra.

Publicidade
Publicidade

O caso foi registrado pela vítima na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) e Mayra passará por exames médicos para que a extensão dos danos seja avaliada. Ela diz que está com dificuldades para enxergar com o olho atingido pelo soco, o qual não consegue mais abrir.

O ataque à ativista aconteceu poucos dias depois de um grupo conservador adentrar a Universidade de Brasília (UnB) e ofender estudantes do campus de Sociologia, inclusive com xingamentos homofóbicos. Formado por cerca de 15 pessoas, o grupo entoou motes como “Golpistas cotistas não passarão”, “Golpistas comunistas não passarão” e “A nossa bandeira jamais será vermelha”, “Uh, é Bolsonaro”. Entre eles, alguns carregavam tasers (armas de choque), sprays de pimenta, bombas caseiras e canos de PVC disfarçados de hastes para as bandeiras.

Publicidade

Essas ocorrências causam preocupação porque revelam o quão violenta pode ser a ação de sujeitos que, obcecados por determinado pensamento político, tornam-se extremistas. A difusão de um conservadorismo que adapta verdades e usa de recortes desonestos de variadas situações para conquistar apoiadores faz com que grande parte da população passe a enxergar a luta por avanços sociais de maneira distorcida, principalmente quando os movimentos ativistas são associados a determinados partidos ou correntes políticas.

Temos testemunhados debates que primam pelo radicalismo e pela generalização - características que aparecem tanto em seguidores da direita quanto da esquerda -, de maneira a impossibilitar o diálogo. Quando figuras políticas lançam mão do cinismo, optam por incitar esses debates e por reproduzir informações cada vez mais deturpadas, o ódio acaba sendo uma consequência esperada e quem costuma sofrer mais gravemente com essas demonstrações são, obviamente, os mais fracos - leia-se, os oprimidos. #Crime #Casos de polícia #Homofobia