Umbandistas e candomblecistas impetraram um mandado de segurança na tarde da sexta feira (29), na 14ª Vara da Fazenda Pública, contra o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 por terem sido excluídas as religiões de matriz africana.

Segundo o advogado Átila Nunes, que assinou o documento, o mandado foi a única alternativa, haja vista as tentativas mal sucedidas, como o pedido de intervenção por parte do ministro da Justiça e o Ministério Público, que buscaram, em vão, uma solução que contemplasse a presença das religiões afro-brasileiras.

Para o advogado e diretor da Federação Brasileira de #umbanda (FBU), José Carlos Gentil, “a Federação recebeu nos últimos dias diversas reclamações de adeptos da umbanda e do candomblé indignados com essa situação”.

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De acordo com Darlene Ribeiro, 2ª primaz do Primado de Umbanda, conversas realizadas com os organizadores não surtiram efeito. “Em reunião com os representantes do Comitê Organizador responsáveis pelo Centro Ecumênico, insistimos na importância da participação de nossa religião nessa Olimpíada que está sendo realizada de forma inédita no Brasil mas, infelizmente, nada avançou e por isso só nos restou o caminho da Justiça” – disse Darlene. 

O vereador Átila Alexandre Nunes também se pronunciou sobre a decisão. “A exclusão da umbanda e do candomblé determinada pelo Comitê é um ato discriminatório e de disseminação do preconceito. A não inclusão dessas religiões como participantes do Espaço Ecumênico criado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos fere os princípios da constituição da República Federativa do Brasil” – disse o vereador.

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O Centro Ecumênico na Vila Olímpica, localizado na Barra da Tijuca, onde os atletas ficarão abrigados durante a realização dos Jogos, foi idealizado para que os atletas possam manifestar sua religiosidade no período dos Jogos. E como próprio nome induz, deveria ser um espaço aberto a todos os credos religiosos, visando a unidade de todos os povos por meio da união de todas as religiões em um único espaço, aberto à livre manifestação da fé.

O presidente do Comitê Rio 2016 determinou que o local abra espaço para cerimônias do cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo e budismo. #candomblé #Rio2016