Após idas e vindas, oficiais de justiça, em cumprimento do mandado de intimação de Cláudia Cruz, resolveram deixar o juiz Sérgio Moro entrar em ação para encontrá-la. A pendência se deve ao fato da jornalista não ter sido localizada, ou seja, não reside mais na capital da República, sendo este, o último endereço disponível da atual ré de uma ação penal vinculada à Lava Jato.

Entenda as providências do juiz federal

Sem delongas, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação #Lava Jato na Comarca de Curitiba, no Paraná, requereu imediatamente a apresentação do novo endereço da indiciada Cláudia Cruz, então casada com o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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O não acolhimento da determinação implica em desobediência à ordem judicial, configurando assim, prejuízos no âmbito da Justiça, além de agravar a situação da parte.

A denúncia foi aceita pelo juiz Moro, o que alterou o status de Cláudia Cruz para ré de ação penal da Lava Jato. A acusação foca nos crimes de evasão de divisas e lavagem de mais de um milhão de dólares, até o momento. A Polícia Federal já localizou o seu paradeiro, para intimá-la.

Na última terça-feira (9), foram confirmadas através de um despacho do magistrado as audiências para o depoimento das testemunhas de acusação para o próximo dia 26 de agosto. O juiz alertou que há dificuldades para localizar Cláudia Cruz, enfatizando que "o endereço disponível nos autos informado pela defesa..." não conferem, pois o endereço determinado no processo corresponde à residência da "presidência da Câmara, não mais ocupada pelo marido da acusada".

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Logo após as declarações do juiz, a defesa foi contatada através de telefone, mas não aceitou se manifestar sobre o novo domicílio da jornalista. No mesmo contexto, Moro rebateu: "... é dever da defesa manter o Juízo informado sobre qualquer mudança de endereço de seu cliente”.

O ex-presidente da Câmara, ao renunciar do cargo de presidente, fez questão de devolver as chaves da residência oficial no dia 1º de agosto e mudou-se para um apartamento funcional. Ademais, Eduardo Cunha permanece exercendo o mandato de deputado federal, apesar de tramitar na própria Casa um processo que requer a cassação de seu mandato, em decorrências de fraudes e contas sigilosas descobertos pela força-tarefa da Operação Lava Jato.

Entretanto, não há justificativa para tal desaparecimento da jornalista, pois, conforme argumentou o juiz federal, aqueles que são investigados devem exercer com responsabilidade a conduta coercitiva da lei, quiçá, uma das partes processuais. Moro afirmou que ainda não há evidências com relação à omissão e sim, da protelação do processo, ocasionando amplos prejuízos, reforçou.

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Por fim, a defesa de Cláudia Cruz, o advogado Pierpaolo Bottini, salientou que a sua cliente passou por momentos delicados e estava de mudança, o que naturalmente pode ter sido a cauda da possível negligência. Ainda segundo a defesa, todas as providências para os esclarecimentos da localização de sua cliente estão elencadas nos autos, inclusive, informou que já se habilitou para a ciência da intimação, comprometendo-se com a Justiça. Tais atitudes devem promover a celeridade do procedimento oficial da Justiça.

Dois endereços constam dos autos nesse momento, um em Brasília e outro no Rio de Janeiro, para eventuais esclarecimentos. #Corrupção #Sergio Moro