O médico Roger Abdelmassih, preso pela Polícia Federal em 2014, deixará de responder criminalmente pelos 37 casos de estupros cometidos contra ex-pacientes que frequentavam suas clínicas em bairros nobres de São Paulo.

Ele foi beneficiado pela própria lei brasileira que, segundo o Ministério Público, trata de modo diferenciado os acusados de crimes a partir dos 70 anos.

Entendendo o caso 

Dono de clínicas de reprodução humana, Abdelmassih era bastante procurado por casais que queriam ter filhos por métodos de fertilização "in vitro". Os casos de estupros vieram à tona depois que as vítimas começaram a ir até a Polícia para prestar queixas contra as atitudes do médico.

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De acordo com o relato das pacientes, ele tinha o costume de acariciar e beijar as mesmas e em seguida costumava consumar os crimes denunciados. 

Segundo a Polícia, de 1990 a 2008, teriam ocorrido cerca de 37 episódios contra pacientes. Em 2010, ele foi condenado a 181 anos de prisão pela mesma prática, desta vez por outros casos que teriam ocorrido entre 1995 e 2008. Além disso, o médico é acusado de irregularidades ao tentar manipular material genético de suas vítimas.

Após a sua condenação em 2010, Abdelmassih conseguiu fugir para fora do país. Preso novamente em 2014, no Paraguai, em uma operação da Polícia Federal, ele foi trazido para o presídio da cidade de Tremembé, no estado de São Paulo.

A decisão do Ministério Público sobre o caso

Após a sua prisão, o Ministério Público decidiu isentar o médico do cumprimento da pena, pois os crimes já haviam sido prescritos.

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Pela Lei Penal, esse prazo é reduzido pela metade para os acusados com idade acima de 70 anos. Abdelmassih está com 72 anos atualmente. Outro fator que contribuiu para tal decisão foi a falta da denúncia dos casos de estupro à Promotoria, através de sua comissão contra crimes organizados.

Na análise do processo, o MP considerou que a única denúncia feita por uma ex-paciente que, supostamente teria sido abusado pelo médico no interior de sua clínica, deveria ser entendida apenas como crime grave de atentado ao pudor. #Justiça #Violência #Casos de polícia