Sabrina Fidalgo nasceu e cresceu num ambiente que era só para brancos, ela era a única negra. Desde sua infância, quando começou na escola, no balé, nas festinhas, no curso de inglês ou no círculo de amigos, onde era frequentado por pessoas de alta renda, como sua família. Bastava olhar em volta que via-se sozinha, não tinha ninguém da sua cor. Ela relembra que cresceu no meio de pessoas brancas, praticamente não havia negros no seu círculo de amizades.

Hoje, aos 36 anos e divorciada, trabalha na área cinematográfica e diz que continua sendo uma exceção. Quando chega nos festivais e eventos de cinema que normalmente frequenta, as pessoas a olham com espanto.

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Mesmo sem intenção eles demonstram um 'preconceito velado', até quando  elogiam e dizem que é uma 'negra linda'. Para essas pessoas não basta que seja só linda, tem que associar beleza com negritude. Sabrina diz que não se incomoda nem vai agradecer a quem a chama assim. "Se me dizem que sou uma negra linda, respondo sou mesmo", rebate a cineasta.

Ela relata ainda que as pessoas sempre fazem menção da sua cor de pele, mesmo antes de conhecê-la, isso acontece em várias ocasiões, tanto social ou de trabalho. Coisas pelas quais os brancos não passam, reclama. E prossegue dizendo que é muito comum dizerem que é a única cineasta negra que conhecem, mas que é uma negra bonita. Sabrina diz que não entende porque as pessoas gostam tanto de ressaltar sua negritude, quando tudo que queria era ser reconhecida por sua personalidade.

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Sabrina pertence a uma parcela de brasileiros que estão no patamar dos 1% do mais ricos do país. Além da sua própria língua, domina o inglês, espanhol e alemão. Fez faculdade de teatro e artes cênicas na 'UniRio', é formada em cinema e seu currículo carrega cinco curtas-metragens, documentários e videoclipes. Está sempre viajando para representar o cinema brasileiro fora do país e também para fazer divulgação de seus filmes, que já fizeram parte de mais de 50 festivais pelo mundo.

Segundo ela, já nasceu preparada para a guerra e as armas fornecidas pelos pais foram, consciência racial e política. #Racismo