Retração no PIB de 3,2%. Inflação de 7,3%. Juros em 14,25%. Cerca de 12 milhões de desempregados. Estes dados refletem a situação econômica do Brasil, mas não dizem muito. Não mostram que há brasileiros tendo de vender seus bens para conseguir colocar comida na mesa. Não mostra que homens e mulheres desempregados estão desesperados sem saberem como pagar suas contas. Mas, caso o leitor mais atento saia do caderno de economia e passeie pelas páginas policiais dos jornais, verá como esses números frios se transformam em tragédias diárias. Tragédias como as que chocaram o Brasil nesta segunda-feira, 29. No Rio de Janeiro, um homem matou sua esposa a facadas, jogou seus filhos pela janela (do 18º andar) e se suicidou em seguida após concluir que ficaria desempregado.

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No mesmo dia, em São Paulo, um outro rapaz, desempregado, se jogou - com seu filho nos braços - do 17º andar de um edifício. Em ambos os casos a crise foi o estopim para a explosão de uma crise emocional ou mental que, possivelmente, ambos vinham sofrendo.

#Suicídio em bairro nobre

O assassinato seguido de suicídio no Rio de Janeiro aconteceu em um condomínio de alto padrão no bairro nobre da Barra da Tijuca. Nabor Coutinho Oliveira Junior, de 43 anos, matou sua mulher, Lais Khouri, de 48 anos, e seus dois filhos: Arthur, de 7 anos, e Henrique, de 10 anos. Nabor escreveu uma carta explicando a decisão trágica. "Não vamos ter mais renda e não vou ter como sustentar a família", disse. O rapaz ainda demonstra que sua principal preocupação é o desemprego, afirmando que ninguém vai querer contratá-lo e pedindo desculpas pelo que ele chama de "fracasso".

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Relata ainda que está sendo cava vez mais desvalorizado em seu trabalho, o que ele acredita ser um indicativo de que sua demissão é iminente. "Nos últimos dias passei a ser menos envolvido ou copiado nos emails dos projetos que estão rolando. Parece um sinal de que não me querem mais lá", desabafou. Nabor ainda se mostrou preocupado com os custos do plano de saúde da família: "Com o histórico médico (dos filhos), será que não vai ficar muito caro?", questionou. 

Desempregado mata filho e se mata em fórum de SP

Já em São Paulo o crime aconteceu no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, na Barra Funda. Um motoboy, que estava desempregado e não teve seu nome revelado pela polícia, agarrou seu filho de apenas quatro anos e se jogou do 17º andar. O homem deixou um bilhete de despedida em que reclamava de desemprego e de não conseguir pagar as dívidas que contraiu. 

As duas histórias, que aconteceram em um intervalo de menos de 12 horas, são retratos da mais profunda crise econômica da história brasileira. 

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