Pedro Chavarry Duarte, coronel reformado da PM, ganhou os noticiários esta semana por ter sido flagrado, no sábado, 10 de setembro, com uma criança de 2 anos, nua, em seu carro. Um vídeo divulgado na internet mostra que ele ainda se apresentou como oficial militar e tentou subornar os policiais que o abordaram, afirmando que na segunda-feira iria ao 22º Batalhão para providenciar o encerramento da ocorrência. Testemunhas que se encontravam na lanchonete do posto de gasolina em que houve a abordagem contam que aquela não foi a primeira vez que viram Duarte com uma criança no local. 

Duarte, que cultivava uma imagem de "homem de bem", cristão e "defensor da família", foi candidato a deputado federal em 2014 pelo Partido Social Liberal (PSL).

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No entanto, em face dos últimos acontecimentos, o histórico do militar reformado veio à tona e inclui o envolvimento com outros crimes nesses 42 anos em que trabalhou na PM.

Paulo Melo, secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, revelou ao jornal Terceira Via que o corporativismo encobriu e garantiu a impunidade de Duarte por todo o tempo em que esteve na instituição, cometendo atos de #Pedofilia continuamente. Nos anos de 1990, Melo comandou uma comissão parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e se lembra de que o PM foi acusado não apenas de participação em um esquema de corrupção do jogo do bicho, mas também de estar envolvido com a venda de bebês - acusação da qual foi absolvido posteriormente.

Em 1993, o então capitão foi preso ao buscar um bebê num apartamento em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

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Segundo a mãe de uma criança, ela havia sido informada de uma instituição católica que cuidava dos filhos das mulheres que precisavam trabalhar, mas que não tinham condições de pagar uma creche. Dessa forma, ela passou a deixar sua filha com Duarte pelas manhãs e a buscá-la à tarde, acreditando que o homem a levava para a referida instituição.

Com a desconfiança de moradores que procuraram Paulo Melo, foi montada uma operação que envolvia a vigia do local usado por uma quadrilha como cativeiro de crianças, onde elas eram deixadas pela manhã sob efeito de tranquilizantes para que fossem então transportadas e vendidas. Quem apareceu para buscar o bebê de quatro meses que estava no local foi justamente o capitão Duarte. Melo acredita que o PM abordava as mães carentes e as convencia a entregar seus filhos que, inicialmente, eram até deixados em uma creche, mas que posteriormente o próprio Duarte levava as mães a acreditarem que o melhor seria doar seus filhos a outra família, com melhores condições de criá-los.

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Mesmo com todas as suspeitas, o PM não deixou de atuar na corporação e ainda foi promovido, chefiando cargos administrativos em vários batalhões. Desde 2010 ele é o presidente da Caixa Beneficente da Polícia Militar do Rio de Janeiro. 

O caso do coronel reformado é mais um entre os milhares que expõem a nossa cultura da impunidade - cujos números são bastante assustadores em se tratando da pedofilia. Em julho deste ano, membros de uma rede de pedofilia que funcionava no Rio de Janeiro foram presos e entre eles estavam o irmão do ex-governador Anthony Garotinho, além de três outros políticos e um policial militar.  #Crime