A denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Lula, supostamente envolvido em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação #Lava Jato, já começa a repercutir nas análises do cenário político do #Governo e da oposição. Para aliados do petista, o principal impacto da ação seria inviabilizar a sua candidatura como presidente nas próximas eleições, em 2018. Já o governo, ainda que não tenha se pronunciado abertamente sobre o tema, estaria considerando o impacto positivo da denúncia no possível enfraquecimento das manifestações contra Michel Temer.

Lula

Após a denúncia, o Instituto #Lula emitiu nota no Facebook reforçando que o ex-presidente não seria dono do tríplex no Guarujá (SP).

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O imóvel é apontado há algum tempo como um dos supostos benefícios recebidos por Lula da construtora OAS, envolvida em esquemas de corrupção na Petrobras, e esteve novamente no rol de indícios da acusação. Na tarde desta quinta-feira (15), Lula deve aparecer publicamente pela primeira vez para se pronunciar sobre o fato a partir das 13 horas em um hotel em São Paulo. Antes disso, o petista deve se reunir com a cúpula do Partido dos Trabalhadores, na sede nacional da legenda, também na capital paulista.

Aliados

Já pensando nas eleições para a Presidência em 2018, em que Lula seria o principal nome do PT, aliados do ex-presidente consideram que a denúncia visaria inviabilizar sua candidatura. Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), a ação do MPF faria parte de uma segunda etapa do “golpe”, que teve sua primeira fase com o impedimento de Dilma Rousseff na Presidência.

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Segundo ele, a investigação contra Lula teria como principal intenção impedir que o ex-presidente seja candidato nas próximas eleições presidenciais. Em suas redes sociais, a ex-presidente Dilma Rousseff seguiu a mesma linha do senador e afirmou ser evidente a relação entre a denúncia do MPF e o objetivo de barrar a candidatura de Lula para 2018. Para os petistas, não haveria provas suficientes para sustentar a acusação, daí a tese de que se trata de uma perseguição política.

Impacto

Internamente, de acordo com o Estado de S. Paulo, o PT considera que o impacto negativo deve ser sentido já este ano, nas eleições municipais e nas manifestações contra Michel Temer. Nesse sentido, a denúncia teria vindo no momento em que o partido voltava a ganhar fôlego com o crescimento dos protestos pedindo a saída de Temer via novas eleições, focado nas orientações econômicas tomadas pela gestão do peemedebista e na alegação de que ocorreu um ''golpe'' contra Dilma. Diante disso, é provável que o partido volte a uma posição mais defensiva e invista em preservar seu principal nome.

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Governo

Já no Palácio do Planalto a denúncia contra Lula repercutiu positivamente. Segundo a Folha de S.Paulo, Michel Temer também teria avaliado seu possível impacto no enfraquecimento dos protestos que pedem sua saída da Presidência e novas eleições diretas. Segundo assessores consultados pela Folha, o governo acredita que a investida do MPF deve intimidar o petista e fazer com que Lula se foque prioritariamente em defender-se da denúncia, dando um fôlego maior para o governo. Por outro lado, caso o ex-presidente seja preso, haveria o temor de que sua prisão seja tomada como motivação para que novos protestos de rua aconteçam, reforçando o movimento oposicionista atual. Até o momento, a orientação seria de que o governo não faça qualquer pronunciamento a respeito do caso.