Enquanto registrava imagens de um confronto entre manifestantes e policiais militares, no centro do Rio de Janeiro, o cinegrafista da Band, Santiago Ilídio Andrade, acabou atingido por um disparo de rojão feito por um black bloc, teve o crânio afundado pelo artefato e morreu no dia 10 de fevereiro de 2014. Na ocasião, Arlita Andrade, esposa do trabalhador, disse que os manifestantes haviam destruído uma família.

A imagem da explosão foi registrada por câmeras de vigilância instaladas no centro da capital fluminense, além de câmeras fotográficas e de outros cinegrafistas que cobriam o ato. Desta forma, o rosto de Fábio Raposo, dono do explosivo entregue ao autor do disparo contra o cinegrafista, acabou exposto pela imprensa e ele resolveu se entregar à polícia, para confessar ter passado o artefato para outra pessoa que afirmou não saber quem era.

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Fábio prestou depoimento na 17ª Delegacia de Polícia, no bairro de São Cristóvão, e, dias depois, foi preso e levado para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, por ordem da Justiça do Rio.

Após divulgar retrato falado, a polícia conseguiu efetuar a prisão de Caio Silva de Souza, autor do disparo que vitimou Santiago, em uma pousada, em Feira de Santana, na Bahia.

Santiago tinha 10 anos de casa e recebeu prêmios jornalísticos por seus trabalhos, feitos com o #repórter Alexandre Tortoriello, sobre mobilidade urbana. Já havia registrado diversas manifestações na cidade do Rio de Janeiro, além de participar de reportagens sobre a guerra contra o tráfico de drogas, nos morros cariocas e iria cobrir a Copa do Mundo 2014, pelo Grupo Bandeirantes.

Carioca, o cinegrafista foi criado em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro e suas paixões, além do jornalismo, eram música - era colecionador de discos de vinil comprados nos tempos em que era DJ - e seu time de coração, o Flamengo.

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Ele era casado e tinha uma filha, Vanessa Andrade, e mais três enteados.

Foi justamente a jornalista Vanessa Andrade quem, nesta terça-feira (6), publicou em seu Facebook um texto criticando o ator e colunista da Folha de São Paulo, Gregório Duvivier, por ter dito, em sua coluna, que black bloc's são inofensivos por se tratar de adolescentes que carregam em suas mochilas, na visão do ator, apenas roupas pretas e cremes faciais para espinhas.

A afirmação de Duvivier, em sua descabida defesa à violenta classe de manifestantes, desagradou muitos leitores e, claro, a filha órfã de Santiago que fez questão de lembrar o ator de que seu pai fora assassinado em ação cometida por esses "anjos juvenis", conforme o colunista descrevera em sua coluna.

Em seu texto comovente, Vanessa diz que prefere pensar como pensa Gregório Duvivier, que faz de conta que seu pai nem existiu e, portanto, também não morreu.

Vanessa Andrade ainda aponta que o ator escreve sua coluna por ter o privilégio de estar vivo, viver em uma casa luxuosa, trabalhando bastante e ganhando muito dinheiro, enquanto ela continua batalhando, levando consigo o sobrenome Andrade na identidade e no peito e com alguns sonhos interrompidos.

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Ao final de sua redação, a jornalista lembra Duvivier que é preciso cumprir o princípio básico do jornalismo, o de ouvir as versões das duas partes envolvidas em uma reportagem, para, só depois, escrever algum texto sobre determinado fato. #Gregório Duvivier