Com a prisão em flagrante do coronel reformado da PM Pedro Chavarry Duarte, de 62 anos, por estar em seu carro com uma criança de 2 anos nua, que ainda tentou subornar os policiais que o abordaram, a delegada Cristiana Bento, à frente da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), apura agora outras denúncias envolvendo o suspeito. A delegada confirmou que foram encontrados frascos de calmantes pediátricos no veículo do coronel.

Após ouvir mães de supostas vítimas, Bento se pronunciou sobre os casos nesta terça-feira, 13 de setembro. De acordo com ela, as mulheres relataram que Duarte esteve com crianças pequenas em múltiplas ocasiões, a maior parte delas com idades entre 1 e 3 anos.

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Uma delas chegou a relatar que ficou cerca de 4 meses com uma criança dada a ela pelo próprio coronel, fato confirmado pela polícia. Segundo contaram, ele ajudava às mães doando fraldas e leite, além de se oferecer para cuidar das crianças enquanto as mulheres trabalhavam. Era querido na comunidade Uga-Uga, em Ramos, Rio de Janeiro.

Thuanne Pimenta dos Santos, de 23 anos, teria levado ao coronel a garota com quem ele estava no sábado. Vizinha de Duarte, ela relatou que foi se encontrar com ele para receber o dinheiro de uma faxina que tinha feito e, estando com a criança, a deixou com o coronel por um instante para buscar o celular que havia esquecido em casa.

A irmã de Thuanne, Isabel, também foi ouvida pela polícia. Ela disse que conhece Duarte há 11 anos e trabalhou como faxineira para a Caixa Beneficente da Polícia Militar, órgão do qual ele é presidente desde 2010. Afirmou ainda que chegou a conhecer um antigo endereço do coronel no qual viu algumas crianças pequenas.

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No local havia poucos móveis, fraldas, chupetas e mamadeiras.

A delegada ressalta que, no celular apreendido de Thuanne, foram encontradas diversas conversas entre ela e o coronel, nas quais há inclusive pedidos de dinheiro.

Em 1993, Duarte foi preso e condenado em primeira instância por abandono e maus-tratos de um bebê de 3 meses, que foi deixado em um apartamento, sozinho, por várias horas, mas o acusado recorreu à decisão e foi absolvido.

É difícil ignorar o comportamento do PM reformado, engajado nas atividades da igreja e na política, mas sempre envolvido com crianças - algo que era visto como apenas mais uma faceta de caridade. O fato de múltiplas testemunhas afirmarem que ele frequentemente estava na companhia de crianças é, na verdade, bastante suspeito na medida em que consideramos o perfil criminal do pedófilo - que, em praticamente todos os pontos, é compatível com Duarte. Se, por um lado, ele ainda não passou pelo processo de julgamento que determina ou não sua condenação, por outro lado, é impossível negar o padrão no qual esse sujeito se encaixa. #Pedofilia #Crime #Casos de polícia