Priscilla Toscano: uma atriz independente e até então, anônima, conhecida apenas nos circuitos alternativos que frequentava. Sua fama nacional surgiu em abril, mais precisamente no dia 23, uma semana após a Câmara dos Deputados aprovar a admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff.

Ela e seu grupo de ‘artistas independentes’ fizeram um ‘protesto’ no coração de São Paulo: a Avenida Paulista, um dos cartões postais da cidade. Na ocasião, fotos de 37 deputados federais foram espalhadas no chão. Dentre eles, Tiririca, Eduardo Bolsonaro, Marco Feliciano, entre outros parlamentares que votaram a favor do #Impeachment. Os ‘artistas’ cuspiam e vomitavam sobre as fotos, enquanto eram filmados.

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Priscilla participava do ato, mas decidiu fazer algo inusitado, abaixando a roupa intima e defecando e urinando sobre a foto de um dos parlamentares favoráveis ao impeachment: Jair Bolsonaro. O ato foi repudiado em dezenas de meios de comunicação e as críticas não eram exclusivas de apoiadores do deputado federal, mas de pessoas que simplesmente reprovaram o protesto incomum de Toscano.

Quatro meses depois, Priscila continua com seu ‘Desvio Coletivo,’ um grupo independente que realiza performances em público. Muitas delas, com atrizes nuas que são cobertas por tinta ou outros elementos que façam sentido para o criador das gravações ou protestos, como é o caso da performance 'Cegos' que já passou por alguns estados e recentemente foi encenada em frente à Explanada dos Ministérios. Nessa performance, todos estão com a pele e as roupas cobertas de lama, além de estarem vendados e rasgarem a Constituição Federal, alegando que o impeachment fere preceitos constitucionais.

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Em uma entrevista ao Metrópoles, Priscilla diz acreditar que foi criticada pelo ato, não por ter defecado sobre a foto do deputado federal, mas por ser mulher. Para ela, houve machismo e misoginia nas represálias e não acredita que se o mesmo ato fosse cometido por um homem, as pessoas teriam se importado tanto. Além disso, resume a revolta popular como preconceito.

Ela também fez algumas mudanças, tanto no visual, quanto no seu dia a dia, a fim de evitar possível agressão, pois alega ter recebido ameaças e ficou com medo. Uma publicação na internet diz que ela precisou se preparar com um profissional para não ficar traumatizada com as consequências de fazer necessidades fisiológicas em público. Priscilla também é orientadora teatral em um projeto cultural da prefeitura de São Paulo e atualmente foi realocada para endereço distinto ao divulgado no site da prefeitura, a fim de evitar represálias verbais ou físicas. #Polêmica #Protestos no Brasil