Em setembro a roraimense Adelaide Silva decidiu realizar um sonho: se submeter a uma cirurgia estética para melhorar uma parte de seu corpo que lhe causava insatisfação. Ela conseguiu juntar uma quantia de dinheiro para passar pelo procedimento, mas não era suficiente para cobrir os custos de uma cirurgia no Brasil. Felizmente Adelaide conheceu um grupo de pessoas que facilitava a realização dessas cirurgias na Venezuela, por preços bem mais em conta. Adelaide foi, feliz com a possibilidade de se tornar ainda mais bonita. Seu objetivo era aumentar o tamanho dos seios e fazer uma lipoaspiração.O sonho, infelizmente, não se realizou. A brasileira morreu durante a cirurgia. 

Seu corpo foi enviado de volta ao Brasil, onde foi recebido com tristeza pelos amigos e familiares.

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Os parentes levaram o corpo de Adelaide para o Instituto Médico Legal de Boa Vista, para a realização de uma autópsia, um procedimento padrão para identificar a causa da morte. O que era um momento de tristeza se transformou em um momento de estupefação e terror. O médico legista chamou a família para dar uma notícia macabra. O corpo de Adelaide estava praticamente “oco”. O coração, pulmões, rins e intestinos haviam "desaparecido". 

O caso de Adelaide é apenas um dos três registrados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) no mês passado. Nos três casos mulheres da região Norte do Brasil foram fazer cirurgias plásticas na Venezuela e voltaram sem órgãos. A entidade suspeita de #Tráfico de órgãos humanos e exige que as autoridades brasileiras investiguem o caso. A suspeita de tráfico de órgãos foi reforçada por um outro incidente envolvendo uma amazonense.

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Dioneide Leite pagou R$ 6 mil para realizar uma redução mamária na Venezuela. Morreu durante a operação. Ao retornar ao Brasil, familiares descobriram, durante a autópsia, que seu rim tinha sido extraído. O mesmo órgão foi roubado de uma outra paciente, de identidade não revelada, também em setembro.

O presidente da SBCP, Luciano Chaves, considera a situação gravíssima e faz um alerta. “As cirurgias acontecem sem segurança, planejamento e muitas vezes os médicos sequer são especialistas. O caso merece uma atenção das autoridades”, diz, apelando para que as brasileiras evitem o "turismo da beleza". A Polícia Federal já está investigando a situação, mas ainda não chegou aos autores do crime.