Após mais de 300 mil alunos de escolas do Paraná ficarem sem aula por tempo indeterminado, alunos do Colégio São Mateus do Sul souberam que a escola seria invadida e se mobilizaram pela internet para impedir que o prédio fosse tomado.

Para buscar apoio, os alunos conversaram com os professores, mas nem todos tinham a mesma opinião que eles. Uma professora chegou a convocar o grêmio da escola e mais dois líderes do movimento ‘Ocupa Paraná’ para que a escola fosse ocupada. Como eram maioria, os alunos que não queriam a ocupação conseguiram evitar que o prédio fosse invadido.

Para garantir que terão as aulas nas próximas semanas normalmente (as férias de verão começam em dezembro), os professores realizaram uma assembleia junto com os alunos favoráveis e contrários à ocupação.

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Como a maioria era contra o ato, uma ata foi assinada para garantir que a escola não será ocupada e que essa é a vontade da maioria.

Mesmo com a decisão, aproximadamente quinze pessoas tentaram ocupar o prédio na quinta-feira, dia 20, à noite. Os alunos do período noturno não concordaram e usaram faixas contrárias ao movimento e contra o presidente da república, Michel Temer. Na última sexta-feira, dia 21, um promotor se reuniu com autoridades da escola e fechou novo acordo de que, naquela unidade escolar, não haverá ocupação.

O perigo das ocupações

Nas últimas três semanas, cerca de 850 escolas, 3 núcleos educacionais e 14 universidades foram ocupadas. O movimento pede a saída do presidente da república, Michel Temer e conta com líderes de movimentos de esquerda, denominados como “Ocupa Paraná”.

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Por se tratar de repartições públicas, a polícia só pode realizar uma reintegração após uma decisão de um juiz.

As escolas onde aconteceriam as provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), em novembro, serão substituídas. Como a maior parte das escolas está ocupada, corre-se o risco da grande maioria dos alunos não fazer o exame neste ano. Ainda não foi decidido o que será feito para atender os alunos cadastrados para a realização das provas nas escolas ocupadas, mas é possível que o exame seja transferido para universidades particulares, uma vez que acontece aos finais de semana e isso não atrapalharia o cronograma. Entretanto, o número de inscritos é muito grande e pode não haver estrutura para que todos sejam realocados.

Além disso, os alunos correm o risco de ficar sem férias para poder cumprir o cronograma do ano letivo de 2016, caso as ocupações continuem. Esse fato tem revoltado os alunos que estudam nessas escolas. Muitos dizem que a escola está tomada por membros do movimento “Ocupa Paraná” e não por alunos. Também afirmam que têm muitos professores e funcionários de cargos diversos das escolas que apoiam e participam das ocupações. Outros só aparecem nas instituições para cumprir horário ou assinar a folha de ponto, uma vez que não é possível trabalhar. #Educação #Manifestação #Protestos no Brasil