Um possível guerra entre as maiores facções do crime organizado do País estaria em curso e a Secretaria de Segurança e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio colocou sua equipe de inteligência para investigar os desdobramentos que isso pode acarretar.

A informação que chegou às autoridades é que as duas maiores facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo suspenderam um acordo que dava trégua aos negócios ilícitos e declararam guerra entre si. A disputa seria pelo controle do comércio de entorpecentes nas áreas de fronteira do Brasil.

As informações dão conta de que a hegemonia dos traficantes paulistas em alguns pontos foi ameaçada por criminosos cariocas.

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Reflexo do rumor da guerra entre facções é que, do dia 7 para cá, cerca de 70 presos paulistas que cumpriam penas em instituições penitenciárias controladas pela facção do Rio pediram transferência para outros presídios. Eles foram motivados pelo temor de possíveis retaliações que já teriam sido anunciadas.

Desentendimento

O grupo carioca é controlado por duas lideranças: Márcio Nepomuceno da Costa, o Marcinho VP, e Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar. A causa do desacordo entre a facção do Rio e a paulista ocorreu após a ação de criminosos cariocas que trabalham como ‘matutos’. Na gíria do #Crime, ‘matuto’ quer dizer traficante que importa drogas em grandes cargas.

Segundo as investigações, a facção de São Paulo sempre teve exclusividade na importação clandestina de armas e na distribuição da cocaína oriunda de países vizinhos, como Bolívia e Colômbia.

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Também ficavam com os paulistas a comercialização da maconha encaminhada pela fronteira com o Paraguai.

Ocorre que a facção do Rio teria obtido apoio de traficantes do Paraguai para trabalhar nas fronteiras depois que o traficante Jorge Raffat morreu. Raffat era chamado de "rei da Fronteira" e foi morto há quatro meses, após ser alvejado por mais de 200 tiros de metralhadora. Na época, o traficante brasileiro Sérgio Lima dos Santos, de 42 anos, procedente do Morro do Fogueteiro, em Santa Teresa, foi apontado pelas autoridades do Paraguai como o autor do assassinato de Raffat. Ele foi preso depois de baleado pelos seguranças do bandido.

Ainda conforme apurou o Jornal Extra, a cadeia de Bangu C, instituição oficialmente denominada Paulo Roberto Rocha, registrou a transferência de 25 presos entre os últimos dias 13 e 14. A cadeia é controlada pelos traficantes cariocas.

Mais 11 detentos saíram do presídio Vicente Piragibe, também no complexo de Bangu, após solicitarem mudança para cadeias ocupadas por uma facção criminosa adversária daquela que é comandada por Marcinho VP e Beira- Mar.

O Jornal Extra pediu um posicionamento oficial sobre a significativa quantidade de transferências, mas a Seap não respondeu. Somente divulgou uma nota, em que afirma estar adotando as medidas cabíveis e que não daria mais detalhes por segurança. #Casos de polícia