Parecia mais um desses “achados” que a mídia brasileira adora divulgar: uma pessoa que chama a atenção pela #Beleza física, enquanto realizam suas atividades de rotina ou simplesmente aparecem em ocasiões políticas cobertas pela imprensa. Em 2012, Rafael Nunes, o “Mendigo Gato”, virou febre nas redes sociais e, claro, na imprensa, que se “comprometeu” em deixar os fãs do rapaz a par de tudo que acontecia em sua vida a partir da fama repentina. Assim como o “mendigo gato”, o agente da Polícia Federal Lucas Valença, conhecido pelo apelido de “Lenhador da Federal” ou “#hipster da Federal”, apareceu como um achado para a imprensa que adora um fait divers para endossar os acessos no site e a audiência nos programas de TV.

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O fato é que, diferentemente do mendigo gato - que se tornou uma estrela nas redes sociais a partir de um pedido para ser fotografado e exibido no intuito de sair das ruas e encontrar algo melhor com a fama - Lucas estava trabalhando, escoltando o famigerado Eduardo Cunha quando, simplesmente, virou notícia no dia seguinte pelo estilo de sua barba, do seu cabelo e de seu bom condicionamento físico. A pergunta é: será que Lucas teria tido a mesma atenção, caso estivesse apenas passeando pela rua? Como se sabe, deve haver mais de mil rapazes como Lucas Valença dando sopa pelos quatro cantos da terra. Mas tende-se a associar a fama do rapaz com o momento e a ocasião de seu aparecimento; assim como pelo seu status de Policial Federal que dá todo um up no visual, já que o concurso da PF continua a ser um dos mais concorridos e difíceis do país.

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Ao contrário do que muita gente imaginava, Lucas resolve aparecer em programas televisionados para comentar a sua tão desejada “beleza física”. O assunto ganha mais destaque, as notícias sobre Lucas, até então um desconhecido, se tornam cada vez mais atualizadas: “Lenhador da federal explica sobre sua tatuagem de número 26”; “Lenhador da federal não sabia o que era um hipster”; “Hipster da federal já recebeu propostas para posar nu” e assim por diante.

O que Lucas talvez não tenha percebido é que sua “fama” não passa de um feature (assunto) sensacionalista que a imprensa adora fazer para agradar seus leitores em busca de assuntos diversos, com a finalidade mais ou menos explícita de se divertirem: um entretenimento. Estas formas de noticiar assuntos variados, fora das notícias factuais, tiveram início com a imprensa popular francesa com fait divers (fatos diversos). Roland Barthes, em Ensaios Críticos, de 1964, diz que estas notícias dão mais popularidade porque não é preciso conhecer nada para consumi-las, não remete a nenhum outro conteúdo além dele próprio.

Não sabemos até quando Lucas Valença irá aparecer nos jornais como espécie de subcelebridade, o que sabemos é que, tão logo saia de cena, outro irá ocupar os espaços vazios com assuntos similares. Como se sabe, é especialidade dos brasileiros e da imprensa, por extensão, tratar beleza física como notícia. #lenhadordafederal