Uma das empresas chave nas investigações da Operação Lava Jato, a empreiteira Odebrecht negocia um acordo para incluir mais 30 de seus funcionários no esquema de delação premiada com o Ministério Público Federal. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, os advogados da empresa negociam com os procuradores uma nova leva de delatores que poderão aumentar o número de informantes da empresa dos atuais 53 executivos para mais de 80 funcionários. Entre os principais delatores do esquema está o ex-presidente Marcelo Odebrecht, que cumpre pena em regime fechado em Curitiba há um ano e quatro meses.

De acordo com informações divulgadas pela publicação paulistana, os delatores com participações mínimas não sofrerão penas carcerárias ou multas.

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Já executivos ligados ao esquema de #Corrupção aliado ao Governo Federal terão sanções que irão variar de reclusão em regime fechado ou aberto a multas, que devem chegar a até 30% do que receberam em salários nos últimos dez anos. Executivos envolvidos no esquema também devem ser obrigados a devolver bônus recebidos em contas de países no exterior.

Altos executivos da empresa que colaborarem com informações substanciais também devem escapar da prisão, cumprindo sanções penais em prisão domiciliar. O acordo não deve afetar Marcelo Odebrecht, que continuará em regime fechado. Enquanto os procuradores pedem que o ex-presidente da empresa cumpra quatro anos em regime fechado, os advogados do empresário tentam abrandar a pena, para que ele possa ser libertado em período menor. A princípio, os advogados de Odebrecht tentavam negociar a libertação imediata do ex-presidente aliada ao novo esquema de colaboração, mas os procuradores não aceitaram a proposta e exigem que ele permaneça em regime fechado.

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O tempo total, no entanto, deve ser abrandado dos quatro anos para um período menor, não revelado pela procuradoria.

 

Delações podem afetar Temer, #Lula, Dilma, Serra e outros políticos importantes

Enquanto as negociações de delações seguem em seus detalhes finais, aumenta a apreensão sobre as informações que serão reveladas pelos funcionários da empreiteira. Políticos de alto gabarito como o presidente Michel Temer e os ex-presidentes Lula e Dilma podem ter seus nomes associados ao esquema de favorecimento financeiro e desvio de recursos, bem como o ministro das Relações Exteriores, José Serra, entre outros.

Os políticos citados em conversas iniciais de executivos da Odebrecht negam conhecimento ou participação no esquema investigado pelo Ministério Público, mas há certa apreensão sobre as informações que possam ser reveladas nas próximas semanas.

Outros executivos da Odebrecht que negociam delações são Alexandrino Alencar, ex-diretor da empresa, apontado pelos procuradores como detentor de informações cruciais para o prosseguimento do processo; e Claudio Melo Filho, ex-vice presidente de relações institucionais da empresa em Brasília.

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Detido por quatro meses em 2015, Alencar é visto pelos investigadores como um dos funcionários da empresa com maior conhecimento sobre o envolvimento de políticos no esquema de corrupção. Melo Filho também é visto como figura chave no relacionamento da empresa com importantes figuras políticas na capital federal. #Lava Jato