Ariadne Wojcik era uma jovem de 25 anos, bacharel em Direito pela UnB. Seu corpo foi encontrado na tarde do dia 9 de novembro, quarta-feira, na Chapada dos Guimarães, próximo a Cuiabá, Mato Grosso. Em seu perfil no Facebook, Ariadne deixou uma mensagem preocupante, contando sobre como sofria com o assédio do chefe, seu ex-professor no curso de Direito.

Segundo a jovem, o assédio começou quando ela conseguiu um estágio no escritório do procurador Rafael Santos de Barros e Silva, que lhe mandava mensagens constantes e lhe dava presentes, tendo passado a persegui-la após o divórcio. Ariadne chegou a pedir demissão do estágio e se mudar para Cuiabá, onde foi, inclusive, nomeada para cargo no TJMT um dia antes de sua morte.

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Mesmo se mudando, voltou a ser procurada pelo ex-professor, e, ainda de acordo com sua postagem no Facebook, não encontrava mais saída daquela que descreveu como uma "situação de abuso insustentável". No texto, são citados nomes de colegas que sabiam o que estava acontecendo.

O procurador denunciado por Ariadne negou que tenha cometido qualquer tipo de assédio, alegando que a jovem sofria de problemas psiquiátricos. Em declaração ao jornal Metrópoles, disse que recebeu e-mails após a saída de Ariadne do escritório do qual é proprietário, nos quais ela afirmava que estava sendo perseguida por ele, e que comunicou a situação à diretoria da Faculdade de Direito. O diretor Mamede Said, no entanto, disse não ter conhecimento da informação, afirmando saber apenas que Rafael teve uma conversa informal com o coordenador do curso de graduação.

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O caso está sendo investigado e o que se sabe, até agora, é que Ariadne havia sido diagnosticada com um quadro de depressão profunda. Ainda em sua mensagem deixada na rede social, ela afirmou que estava sendo vítima de "uma mente brilhantemente psicopática e narcisista determinada" e que se sentia exausta.

É impossível tirar quaisquer conclusões sobre o que de fato se passou, mas o texto traz um alerta importante sobre como, não raro, ignoramos o sofrimento psíquico daqueles que se encontram próximos a nós até que seja tarde demais. Tendo sido perseguida ou não, Ariadne precisava de atenção, mas preferiu se fechar por medo do estigma - fator que é responsável por tirar a vida de muitas pessoas. #Suicídio #Casos de polícia