A massoterapeuta Ana Raquel Santos da Trindade, de 31 anos, foi absolvida pela Justiça de Santa Catarina. Ela assassinou o ex-namorado com 9 tiros. O julgamento ocorreu na quarta-feira, 16 de novembro, exatamente dois anos após o #Crime.

Durante o julgamento, Ana Raquel falou sobre a rotina de abusos, torturas e ameaças que sofreu ao longo de 2013 e 2014. O empresário, Renato Patrick Machado de Menezes, que tinha 35 anos quando morreu, a estuprava e a obrigava a se prostituir.

Durante seu relato, a massagista relevou que viveu um inferno em sua vida, sofrendo inúmeras agressões e ameaças. Além dos espancamentos, o homem também ameaçava a vida de seu filho.

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Afirmou também que Menezes não aceitava que ela não fizesse programas e que isso gerava discussões. Quando ela conseguiu por um fim a relação, ele não a deixava seguir com sua vida. Ela declara que mudou de casa 11 vezes e que fez modificações nas casas para que ele não se aproximasse, porém mesmo assim o homem a procurava insanamente.

O assassinato ocorreu no dia 16 de novembro de 2014. Ana Raquel contou que estava em sua casa, na praia de Ingleses, em Florianópolis (SC), quando o ex invadiu o local. Segundo ela, ele estava armado e tirou a roupa para se masturbar. Ele foi para “cima” dela afirmando que ela era mulher dele, mesmo com ela o repugnando.

Ela ainda afirmou que conseguiu alcançar a arma de Menezes e que desferiu seis tiros no primeiro momento, descarregando o tambor. Depois, ela recarregou a arma e deu mais seis disparos.

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Ao todo foram 12, dos quais nove atingiram o empresário que chegou a ser socorrido, mas faleceu no hospital.

Na época, ela foi presa e passou 24 dias na cadeia, onde escreveu um diário sobre a rotina de #Estupro e tortura pelas quais passou. No entanto, devido a várias evidências e testemunhas das inúmeras agressões e perseguição, ela estava respondendo ao crime em liberdade.

Denúncias e pedidos de ajuda às autoridades

Antes do fatídico dia, Ana Raquel procurou as autoridades inúmeras vezes. Cerca de 20 boletins de ocorrência teriam sido registrados por ela. Ela também buscou ajuda no fórum da cidade, para que fossem aplicadas medidas restritivas ao agressor. Porém, jamais obteve respostas quanto a tal pedido.

Durante o julgamento, o promotor Andrey Cunha Amorim, pediu para que o Juri absolvesse a ré. De acordo com ele a justiça neste caso estaria na absolvição.

Amorim considerou o caso como legítima defesa já que Menezes a explorava sexualmente, ameaçava e a estuprava. E na opinião do promotor a grande quantidade de tiros disparados por Ana é justificada pelo contexto vivido anteriormente por ela nas mãos do ex.

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Estupros, tortura e perseguição

No inicio de 2013, Ana Raquel foi até uma casa de massagem de Menezes para uma entrevista de emprego. Desse dia em diante, sua vida virou um inferno. Em seu diário, ela descreveu que em um determinado dia, ele a drogou e a amarrou em um quarto, no qual ela permaneceu em cárcere. No período, ela foi estuprada inúmeras vezes pelo homem. Se isso não bastasse, ela ainda revelou que o empresário levava outros homens para o local e cobrava deles valores, para que esses “amigos” também a estuprassem.

Em um trecho do diário ela diz que ele a impedia de ver o filho e que várias vezes ela pedia para que ele a matasse. Em outro trecho ela revela que não via o filho e que quando se “comportava” podia ligar para o menino. Ela também deixa claro que o único motivo que tinha para manter o relacionamento com ele era o medo. #É Manchete!