Ex-governador do #Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR) foi transferido na noite desta quinta-feira, dia 17, para o complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu. Garotinho saiu de ambulância do Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro da cidade do Rio de Janeiro, para o presídio José Frederico Marques. Ele havia sido internado na quarta-feira, dia 16, após ser detido pela Polícia Federal (PF). Alegando dores no peito, o ex-governador teve um cateterismo marcado para a próxima segunda-feira. A internação teria irritado o alto escalão da PF, que acredita que as alegações seriam uma estratégia de Garotinho para não seguir para o presídio comum, como seu ex-aliado e atual rival político, Sérgio Cabral (PMDB).

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A operação foi acompanhada por Bombeiros, que disponibilizaram a ambulância para o transporte, e agentes da Polícia Federal, responsáveis pela prisão de Garotinho e do também ex-governador Sérgio Cabral, ambos detidos em fase da operação Calicute, que investiga supostos desvios de verbas em obras públicas do Rio de Janeiro. Cabral está no complexo de Bangu 8 desde a quinta-feira, dia 17. Garotinho será mantido no mesmo complexo.

Garotinho entra em desespero

Enquanto entrava na ambulância para seguir para o complexo penitenciário, Garotinho entrou em desespero e tentou resistir à ação. Se debatendo e gritando muito, Garotinho pediu respeito por “ser um homem enfartado” e precisou ser contido pelos agentes policiais. Esposa do ex-governador e atual prefeita da cidade de Campos, Rosinha Garotinho também tentou intervir durante a ação.

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Filha do casal, a deputada federal Clarissa Garotinho também presenciou a cena, que tem circulado pelas redes sociais em vídeos amadores gravados por civis que acompanharam a ação.

Segundo noticiado por jornalistas presentes ao local, Garotinho teria argumentado que corre risco de vida em Bangu, alegando ter sido responsável pela prisão de diversos traficantes importantes que estão detidos no complexo.

Polícia investiga supostas regalias em hospital

Delegado responsável pela prisão de Anthony Garotinho, Paulo Cassiano afirmou que a atitude do hospital Souza Aguiar está “sob suspeita”. A PF teria resolvido agir depois de o hospital ter marcado o cateterismo de Garotinho para Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, no Humaitá. Segundo Cassiano, por estar sob custódia da PF, Garotinho só poderia ser transferido com uma autorização judicial. A ação foi considerada uma afronta à Polícia Federal, que se organizou para realizar a transferência do ex-governador na noite desta quinta.

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Também há relatos de que Garotinho e sua família teriam recebido regalias no hospital, como salas privadas com abastecimento de comida. Para rebater os argumentos do ex-governador e de sua família sobre a necessidade de cuidados médicos especiais, a PF afirmou que o complexo de Bangu conta com estrutura hospitalar e que Garotinho estará sob supervisão durante 24 horas e que poderá ser atendido em caso de emergência.

Filha de Garotinho afirma que decisão é “uma desumanidade”

A transferência do Garotinho foi realizada após decisão do juiz Glaucenir Silva do Oliveira, de Campos de Goytacazes, que afirmou que “nenhum preso por ordem judicial pode ter direito a qualquer regalia ou tratamento diferenciado, seja em unidade prisional ou hospitalar”. Filha do ex-governador, a deputada Clarissa Garotinho afirmou que a decisão é “uma desumanidade”.

“Nós queremos que ele tenha toda a assistência médica que ele tem direito”, disse a deputada. “Todas as ordens judiciais estão sendo cumpridas, é uma questão de que a justiça não pode ser desproporcional. Transferir um paciente pra um lugar onde ele não tem condições de ser atendido é uma desumanidade.” #Lava Jato #Corrupção