Faleceu hoje, dia 4, a advogada Alexandra Lebelson Szafir, sócia do escritório Toron, Torihara & Szafir Advogados.

Exemplo de garra e #superação, Alexandra foi diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa do sistema nervoso, que acarreta paralisia motora progressiva, irreversível e de maneira limitante, sendo uma das mais temidas doenças conhecidas.

Lutando contra a doença há anos, Alexandra jamais se deixou abalar. De tradicional família judia de São Paulo, estudou no colégio israelita  I.L.Peretz e formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), tornando-se uma das mais competentes profissionais de sua área.

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A advogada, embora procurada para atuar em diversos casos de “colarinho branco”, ações que poderiam lhe render milhões de reais, preferia atuar em defesa de pessoas carentes em situação de vulnerabilidade econômica e social. Defendeu, por exemplo, famílias prestes a serem despejadas em favelas.

A temida doença que lhe acometia passou a evoluir e com o tempo perdeu sua mobilidade, mas isso não foi suficiente para impedir sua comunicação. Quando Alexandra já não podia mais escrever com as mãos, começou a utilizar um programa especial de computador que lhe permitia escrever com o nariz. Porém com o tempo o nariz deixou de ser sua melhor opção e foi quando começou a escrever com os olhos.

O namorado Álfio D’Ávila, conhecido promotor de eventos e produtor musical, segurava uma placa com letras do alfabeto e bastava que Alexandra arregalasse os olhos para que a letra fosse selecionada.

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Dessa forma, a advogada redigia seus processos, chegando, inclusive a escrever o livro “DesCasos, uma Advogada às Voltas com o Direito dos Excluídos”. Em coautoria com seu sócio Alberto Zacharias Toron, escreveu também o livro “Prerrogativas Profissionais do Advogado”.

Alexandra fundou, no ano 2000, o Instituto do Direito de Defesa, organização da sociedade civil de interesse público, que trabalhava com o escopo de fortalecer o Direito de Defesa.

Em nota, o Instituto lamentou o falecimento da advogada, e congratulou-a informando que “sua incansável dedicação à advocacia voluntária foi reconhecida, entre outros momentos, com o Prêmio Advocacia Solidária, oferecido pelo IDDD, Tribunal de Justiça de São Paulo e Instituto Pro Bono em 2006”.

  #Morre irmã de Luciano Szafir #A mulher que escrevia com os olhos