A Polícia Federal prendeu, na tarde de ontem, domingo (06), uma quadrilha que tentava fraudar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), repassando os gabaritos para candidatos em três estados do país. A operação, denominada ‘Embuste’, começou há quinze dias, quando uma candidata resolveu denunciar a quadrilha. Os homens que lideravam o grupo se encontravam ontem em um hotel em Montes Claros, MG, e de lá mandavam as respostas para candidatos em outras localidades do estado, e também para uma cidade na Bahia e uma no Ceará. Para a realização da fraude, eles usavam uma tecnologia que nunca antes foi utilizada: pela primeira vez, os criminosos conseguiam conversar com os estudantes em tempo real.

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Para conseguir tal façanha, eles utilizavam de escutas eletrônicas e de um aparelho que recebia sinal telefônico. Esse dispositivo constava com um chip de celular e era do tamanho de um cartão de crédito. O candidato colava o dispositivo no corpo e uma escuta do tamanho de um grão de feijão no ouvido. A partir do esquema, os candidatos recebiam em tempo real o gabarito da prova. Para se comunicar, os alunos deveriam tossir uma vez se tivessem entendido a resposta, e duas vezes se não tivesse compreendido.

Os estudantes pagavam de 150 mil reais a 180 mil dependendo da Universidade Federal que estivessem interessados em ingressar. Vinte e oito mandatos foram expedidos pela Justiça, sendo quatro de prisão temporária.  Dez prisões haviam sido feitas até a tarde de ontem.

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Ao que parece os detectores de metais utilizados na porta dos prédios onde eram realizadas as provas não estavam sendo eficientes em constatar os aparelhos de fraude. Os líderes da quadrilha eram estudantes de medicina que realizavam as provas, saíam antes do término e iam para o local de reunião do grupo onde repassavam as respostas aos candidatos. Outros ‘pilotos’ também foram contratados, para fazerem a prova e depois darem as respostas, algumas dessas pessoas também usavam identidade falsa para realizarem a prova no lugar dos estudantes. Segundo o Ministro da Educação as fraudes não atrapalharão o decorrer do concurso, que seguirá com as datas normais. Mas prometeu ser mais incisivo nas investigações de fraude, e na segurança do local das provas. #Crime #Investigação Criminal