Neste sábado, 3, Ximena Suárez Otterburg, uma das sobreviventes com o avião da Chapecoense, publicou uma mensagem em seu Facebook, na qual comenta as recentes acusações feitas ao piloto Miguel Quiroga. Ele estava à frente do avião que matou 71 pessoas e que caiu na cidade de Medellín, na Colômbia. Ximena disse que "era fácil julgar" agora o piloto, que é acusado de ter viajado com combustível no limite por economia de dinheiro. Já se sabe que uma parada para abastecimento custaria pouco mais de R$ 10 mil. Miguel recebeu R$ 500 mil para fazer o fretamento dos jogadores. Essa era a quinta viagem que Quiroga apresentava o mesmo plano de voo. Todos eles com combustível no limite.

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"Então, hoje o piloto se tornou o vilão. Então, ele virou o assassino. Então, hoje a culpa é do piloto", diz ela na mensagem traduzida do espanhol. A comissária ainda lembra que, inicialmente, Miguel estava sendo tratado como um herói pela imprensa, já que nem todas as pessoas sobreviveram à queda. "A verdade é que nunca estão satisfeitos, a verdade é que sempre preferem julgar", continuou ela a defender o amigo que morreu em pleno trabalho. Além de pilotar a aeronave, Quiroga era sócio da LAMIA, empresa que apenas no ano passado fixou sua sede em solo colombiano e que tinha uma única aeronave.

O profissional era acostumado a transportar times de futebol. Duas semanas antes da tragédia da #Chapecoense, ele levou jogadores da Argentina em um voo. Na viagem estava um dos maiores vencedores da bola de ouro, Lionel Messi.

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O sonho de Miguel, segundo uma reportagem da Globo.com, era fazer o transporte da seleção brasileira de futebol. A Agência Nacional de Avião brasileira, a Anac, no entanto, chegou a negar algumas viagens da LAMIA no Brasil.

"Meu povo, este pobre homem também morreu, não escapou ileso", continua a aeromoça pedindo que a família e a memória do piloto sejam respeitadas. Daniela, viúva de Miguel, que mora no Acre, pediu desculpas às famílias das vítimas e disse que seu marido queria voltar para casa.