Sexta-feira é um dia que desperta um certo temor. Se a sexta-feira cai no dia 13, o temor pode se transformar em pavor. Pois foi numa sexta-feira 13, em dezembro de 1968, que os militares editaram o Ato Institucional número 5, o #AI-5, que mergulhou definitivamente o Brasil na escuridão institucional.

O endurecimento começou a ser pedido pelos militares um ano antes, em 1967, quando o ex-presidente Juscelino Kubitschek se uniu a Carlos Lacerda para fundar a Frente Ampla, que reuniria políticos e gente expressiva de diversos partidos para enfrentar a ditadura imposta pelo golpe de 1964. O militares não gostaram.

Em 1968, a Igreja Católica passou a ser mais atuante na defesa dos direitos humanos, os estudantes passaram a fazer passeatas e na cidade de Osasco, metalúrgicos entraram em greve, a primeira vez desde 1964.

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Deputados

Nos dias 2 e 3 de setembro de 1968, o deputado federal Marcio Moreira Alves, do MDB, fez discurso na Câmara conclamando o povo a não participar dos desfiles de 7 de setembro.

No Rio, o deputado Hermano Alves escreveu uma série de artigos no jornal Correio da Manhã que foram considerados provocativos pelos militares.

O governo então solicitou ao Congresso licença para processar os dois políticos.

Seguiram-se dias tensos. No dia 12 de dezembro daquele ano, a Câmara negou a licença.

No dia seguinte, 13 de dezembro, foi baixado o AI-5.

Com ele, o presidente da República passou a ter o poder de fechar o Congresso Nacional, podia intervir nos estados e município, cassar mandatos de políticos e suspender seus direitos por 10 anos, além de decretar confisco de bens que o governo considerasse ilícito.

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A garantia do habeas-corpus também foi suspensa.

Marcio Moreira Alves e Hermano Alves foram imediatamente cassados. Ao final do mês de dezembro, outros nove políticos seriam cassados. Em janeiro de 1969, houve mais cassações, incluindo até um juiz do Supremo Tribunal Federal.

Jornais apreendidos

Em São Paulo, no dia 13 de dezembro de 1968, o jornal O Estado de São Paulo saiu com editoria intitulado “Instituições em Frangalhos”.

O jornal circulou pela manhã, horas antes da decretação do AI-5. A polícia invadiu o Departamento de Circulação para apreender os exemplares que ainda não haviam sido distribuídos.

À tarde, o vespertino #Jornal da Tarde, do mesmo grupo, saiu com a manchete “Polícia apreende o Estadão”.

O Jornal da Tarde teve o mesmo destino.

A partir desse momento, prisões passaram a ser feitas sem a menor justificativa, muita gente desapareceu ou morreu sob torturas.

O AI-5 só foi revogado em 1978. #Juscelino Kubitschek