O fim da manhã dessa quarta-feira, 14, foi de muita tristeza para inúmeras pessoas. O arcebispo emérito Dom Paulo Evaristo Arns, não resistiu aos problemas de saúde que o levaram para o hospital dia 28 de novembro e acabou falecendo.

O religioso era conhecido como o bispo dos oprimidos, pois buscava realizar suas ações entre aqueles que mais sofrem e estão desenganados pela sociedade, como presos e pessoas muito pobres.

Dom Paulo também atuou no regime militar, quando fazia o possível para ajudar presos políticos, bem como jornalistas e advogados que eram censurados e impedidos de trabalhar durante essa fase da história do Brasil.

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Além disso, chegou a visitar favelas, caminhar pelas periferias e visitar pessoas que já tinham perdido a fé nelas mesmas.

Ainda durante o regime militar, o religioso visitou o presídio de Tiradentes, em São Paulo, onde estavam dois padres, que foram torturados por tentar ajudar outros presos políticos. Ao ver o frei Tito ensanguentado, Paulo foi até o cardeal Agnelo Rossi e contou o que viu, mas ouviu que não havia torturas nos presídios e nada foi feito pelos religiosos presos. A partir daí ele transformou a arquidiocese de São Paulo em um ponto central da defesa dos direitos humanos e dos presos políticos daquela época. Suas missas reuniam multidões.

O arcebispo foi um grande apoiador do jurista Hélio Bicudo, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, quando o mesmo se opôs ao esquadrão da morte, ainda no período militar.

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Evaristo sofreu um atentado no Rio de Janeiro, que ele só descobriu tempos depois, pois acreditava que foi um acidente.

Pouco antes de morrer, alguém questionou como ele gostaria de ser lembrado, e ele disse que quer ser lembrado como o amigo do povo, pois foi dessa forma que ele procurou agir durante toda a sua trajetória. Evaristo é irmão da médica Zilda Arns, considerada uma das mulheres que mais colaboraram em defesa dos direitos humanos de crianças e mães pobres. Dentre suas ações, ela passou um bom tempo de sua vida ensinando mulheres muito pobres a reaproveitarem cascas de alimentos, bem como a fazer o soro caseiro para salvar os filhos da desidratação e diarreia.

Em 2010, Zilda estava no Haiti, onde realizava a continuidade de seu projeto social com as pessoas mais carentes do país, mas um terremoto devastador e que destruiu 70% do país, ocasionou a sua morte. #Igreja #Religião #É Manchete!