Um grupo do Facebook que reunia mulheres lésbicas foi atacado por hackers homofóbicos no início deste mês de dezembro. O grupo "Elas por Elas" tinha o objetivo de servir como um ponto de encontro e socialização entre mulheres, e contava com 84 mil membros. Os hackers, de uma organização chamada "Primeiro Comando da Web", alteraram o nome do grupo para "Bando de Chupa Grelo", publicaram mensagens homofóbicas no mural e chegaram a assediar sexualmente algumas garotas, inclusive solicitando "fotos de nudez" a meninas menores de idade que faziam parte da comunidade. O Ministério Público Federal considera crime a solicitação de fotos de nudez à crianças.

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O ataque aconteceu no dia 14 de dezembro. Os agressores hackearam, inicialmente, o perfil do Facebook de uma das administradoras do grupo, que prefere manter seu nome no anonimato. Usando o perfil da administradora, eles expulsaram os demais administradores reais e adicionaram comparsas - todos homens - ao grupo de lésbicas. "Entrei em contato com um dos hackers, pedindo que eles devolvessem o grupo, mas eles disseram que não iam devolver, e começaram a me enviar mensagens com dados pessoais sigilosos de uma das administradoras. Eles descobriram nossos nomes completos, número do documento de identidade, telefones, onde morávamos... descobriram até mesmo os dados de nossos pais e onde cada um morava. Ficamos bem assustadas", revela uma das administradoras do "Elas por Elas", Letícia Chaves.

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Letícia chegou a fazer uma denúncia ao Facebook sobre o roubo do grupo, mas não obteve retorno da empresa. As administradoras tentaram registrar, em uma delegacia de Passo Fundo (RS), um boletim de ocorrência do ataque e do assédio mas, de acordo com Letícia, foram informadas pelos policiais civis de que só poderiam fazer o registro do caso se os hackers fizessem fotomontagens usando fotos do perfil hackeado.

Administradora faz desabafo

"Me sinto extremamente chateada com tudo, chorei bastante pois dediquei mais de um ano de minha vida ao grupo. E isso não atingiu só a mim, atingiu todas as meninas que estavam me ajudando com o grupo, inclusive umas das moderadoras, que tem depressão, usava o grupo terapeuticamente. De alguma maneira o grupo a ajudava a se distrair. Agora perdemos tudo isso", desabafa Letícia.

O grupo não existe mais, já que os hackers alteraram o nome da comunidade mais algumas vezes, desfigurando-o. "Não sei o que fazer, tô desanimada. Criei outro grupo com o mesmo nome, mas ter de recomeçar do zero é muito triste. Espero que as meninas percebam que fomos hackeadas e migrem para o novo grupo", finaliza Letícia. #Homofobia #LGBT