"Querido Papai Noel, meu padrasto abusou de mim, mas não conta para ninguém", diz uma menina de treze anos em uma carta enviada a Papai Noel. O texto foi escrito pela garota em uma escola de Bauru, em São Paulo. O professor, ao pegar o material, ficou espantado e decidiu ajudar a garotinha. Ele conta, em uma reportagem publicada pela portal de notícias G1, em matéria publicada neste sábado, 23, que a estudante sempre teve mau comportamento. O professor, que não teve o nome identificado, disse que já desconfiava que a menina vivesse em um ambiente turbulento, mas que jamais pensou que a vida dela fosse tão traumática.

Além de contar o abuso sexual que era cometido pelo pai de criação, a menina solicita a Papai Noel que lhe dê roupas.

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No texto, ela diz que sua mãe é muito pobre e que não tem condições de dar à ela coisas como uma calça, um short ou um tênis. A correspondência seria enviada via Correios. Por isso, o professor pegou a carta, que el dobraria e enviaria através de um envelope. No entanto, ao ver a primeira frase que fazia um pedido tão simples, ele decidiu ler tudo e acabou descobrindo o quão perversa era a história de sua estudante, que nunca havia se dado bem com ele. "Ela gritava na aula, sempre fazia malcriação, mas não podia imaginar que ela tivesse uma história tão triste".

Mesmo pobre e abusada, a menina de treze anos não pensa apenas nela em sua cartinha. Ela pede ainda que Papai Noel ajude sua tia, com quem ela fica alguns dias da semana, enquanto sua mãe faz faxinas. "Por favor, traga um pouco de feijão para minha tia.

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Já faz meses que ela come feijão. Ela gosta muito, mas está muito caro. Sinto que ela já está fraca", diz a garotinha.

O caso acabou sendo encaminhado para o Conselho Tutelar da região. A menina agora não mora mais com sua família. Ela está em um abrigo, onde recebe apoio psicológico. O padrasto, a mãe e outros familiares devem ser chamados para darem explicações sobre a denúncia de abuso. A tia, sem condições, mesmo que quisesse, não poderia ficar com a guarda da menina neste momento. #Crime #Investigação Criminal